A iminência de uma guerra entre Estados Unidos e Iraque está pondo em risco a vida de milhares de civis inocentes, a soberania nacional iraquiana e possivelmente de outros páises , e a integridade da ONU.
O ataque terrorista de 11 de setembro, a ditadura ''cruel de Saddam'' (que os EUA apoiaram na guerra Irã x Iraque), um possível armamento bélico que, por acaso, é infinitamente inferior ao dos EUA e uma mera possibilidade de proteção a terroristas (aliás, hipótese infundada) em que a segurança mundial estaria sendo ameaçada, estão sendo utilizados como elementos que legitimam a guerra como ''justa, necessária e fundamental'' à humanidade.
Porém, sabemos que os Estados Unidos estão passando por uma forte crise, com elevação da taxa de desemprego, desaceleração econômica e desvalorização do dólar frente ao euro, além de outros fatores relacionados à economia.
Está explicito que a guerra é econômica e não ideológica, e que os EUA por serem os maiores consumidores e importadores de petróleo estão interessados na produção iraquiana, afinal é a segunda maior do planeta, e que a justificativa de segurança mundial é lorota pura que convence apenas a ingenuidade de parcela dos estadunidenses.
Mas os EUA não são auto-suficientes e necessitam manterem relações comerciais com outros países e, portanto, não podem ou devem tomar a decisão de guerra simplesmente desconsiderando outros países, mesmo porque existe uma interdependência.
E é exatamente onde se localiza o impasse o Conselho de Segurança da ONU. Estabelecido em plena guerra fria, para ''manter a paz mundial'', o Conselho de Segurança decide sobre o que deve ou não ser condenado e que guerra é justa ou não se é que existe guerra justa , usando como critério o bom-senso e o interesse de seus membros. O Conselho é formado por quinze membros (países), cinco deles são permanentes e os outros dez são substituídos a cada dois anos.
Em linhas gerais para que um confronto receba o aval da ONU são necessários nove dos quinze votos, sem, contudo que um dos membros permanentes que são Inglaterra, EUA, França, Rússia e China vote contra, pois assim a medida em questão seria vetada.
O entrave da guerra está na possibilidade de membros permanentes como França votarem contra, não autorizando a guerra. Porém, mesmo sem autorização os EUA ameaçam invadir o Iraque pondo em desmoronamento a credibilidade de um órgão internacional posicionando-se acima da funcionalidade do Conselho de Segurança, da próprio ONU e da opinião pública mundial. Seria o início do fim.
RICARDO MARQUES DE MELLO é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina

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