A onda global - Nardir Antonio Sperandio
A onda global
Nardir Antonio Sperandio
Desde os anos 70, têm ocorrido ondas de mudanças nos negócios. Primeiro veio o downsizing, seguido da onda da qualidade. Depois, a onda do enfoque no cliente, seguida da onda da redução do tempo de ciclo como fator competitivo. Mas a grande onda do momento é a da globalização e do globalismo. Aqueles que não detectam a onda e não a aproveitam desde cedo que não pegam, para a usar o termo do pessoal do surf, a rampa da onda, onde estão as melhores condições arriscam-se a cair quando a onda estourar em cima deles.
Este período tempestuoso dos últimos anos é indicativo de uma transformação ainda maior que está ocorrendo em todo o mundo. A transformação tem sido acompanhada por ondas de mudanças. Isso não quer dizer que não haverá mais empresas industriais, mas elas terão natureza de informação; a vantagem competitiva irá para aquelas que saberão fazer o melhor uso da informação de que dispõem ou que podem descobrir.
Os pré-requisitos para pegar a onda global com sucesso, incluem o domínio prévio do downsizing, a melhoria da qualidade, a capacidade de satisfação do cliente e a redução dos tempos de ciclo dos processos. Por exemplo, como entregar mais rápido e com qualidade num serviço de disk-pizza, como otimizar o tempo de vôo de uma aeronave e seu processo de embarque e desembarque com plena satisfação do cliente. Essas ondas enormes estão marcando o fim da economia industrial e a era da economia da informação.
Hoje as limitações de espaço e tempo praticamente não existem. O custo reduzido dos transportes possibilita que os bens sejam fabricados em qualquer país. À medida em que a infra-estrutura de informações e comunicações se espalha, as empresas podem ter aspirações verdadeiramente globais. Essa infra-estrutura inclui satélites, fibras óticas, televisão, TV a cabo, teleconferências, computadores pessoais e estações multimídia, redes locais de computadores e redes amplas, bancos de dados on-line, telefonia celular, pagers, CD-ROM, correio eletrônico e correio de voz, Internet, fax, para citar apenas alguns dos desenvolvimentos do último quarto do século 20. Até o início do século 21, o mundo estará totalmente interligado pelas redes de comunicação (leia-se 2001). A globalização representa o próximo grande passo de uma sequência evolucionária.
Globalização é mais do que fazer negócios em um determinado número de países. Envolve fazer negócios em todo o mundo, de uma nova maneira, equilibrando seus produtos e serviços com características globais e também com as diversas bases de clientes locais. Fazer negócios dentro desse escopo implica determinar quem são os seus consumidores ou clientes globais dos seus produtos e serviços.
Ser global possibilita à empresa três aspectos: enfrentar a concorrência; ficar atualizada em relação às novas tendências tecnológicas; criar e tirar vantagem do desenvolvimento de novas oportunidades de negócios. O mercado global tem três economias que dispõem de capacidade para desenvolver esses clientes globais: Estados Unidos e Canadá, Europa e o Extremo Oriente.
A Komatsu precisou de quinze anos para criar efetivamente uma capacidade global. A Honda falava em tornar-se uma força global desde os anos 50, quando era apenas uma oficina de manutenção com 50 empregados. General Motors, Ford e Chevrolet, que preferiram ignorar o mercado japonês, não perceberam a concorrência aproximar-se, quando a Honda decidiu atacar o mercado norte-americano. Desde então, a indústria automobilística não foi mais a mesma.
Daí em frente surgem parcerias e alianças, que são uma grande realidade e tendência. Analistas acreditam que haverá um punhado de empresas automobilísticas globais fabricando para distribuição e venda em todo o mundo. A mesma tendência deverá acontecer na maioria dos campos da economia mundial. E você vai pegar esta onda global ou vai esperar a onda estourar em cima de você e de sua empresa? Seja um surfista, pegando a rampa da onda global.
- NARDIR ANTONIO SPERANDIO é consultor de empresas e professor de pós-graduação em universidades do Norte do Paraná





