A onda do conhecimento - Nardir Antonio Sperandio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 1998
Nardir Antonio Sperandio 
Existem atualmente redes de computadores que interagem no mundo inteiro em questão de segundos. Um designer em Londres interage com outro em Tóquio como se os dois estivessem na mesma sala. Tudo o que Shakespeare escreveu em sua vida inteira pode ser transmitido via fibras ópticas em um centésimo de segundo! E existem fibras ópticas espalhadas por todo o planeta. Comerciantes em Estocolmo têm acesso online às bolsas de futuros na Nova Zelândia. A Benetton abriu 800 lojas em mais de cem países, ligadas a computadores na Itália, permitindo o monitoramento e o ajuste simultâneos de seus processos geradores de riqueza em vários países. Essa é a realidade de hoje.
Entretanto, a maioria de nossas empresas tem estruturas que existem há décadas. O colapso do comunismo após a queda do Muro de Berlim sinalizou o início de uma imensa mudança nas empresas do mundo comunista. Ao mesmo tempo, uma mudança importante iniciou-se no mundo capitalista. O Ocidente começou a compreender que suas empresas precisavam de arquiteturas fundamentalmente diferentes. O mesmo poder da Tecnologia da Informação estava sendo mal utilizado, pois as empresas não haviam mudado para tirar proveito dele.
Muitas empresas são administradas como a economia soviética. O sistema soviético não permitia a contribuição criativa de cada indivíduo para a melhoria de seus processos.
Uma nova abordagem de organização está evoluindo; ela mudará funções, gerência e estruturas da empresa em todo lugar.
Peter Drucker chama a nova era de sociedade pós-capitalista. Isso não significa o fim do capitalismo; e sim que o recurso econômico básico, os meios de produção, expressão usada pelos economistas, não é mais o capital, nem os recursos naturais, nem a terra nem o trabalho. É o conhecimento.
Francis Bacon disse: Conhecimento é poder. O executivo moderno deve dizer: Conhecimento é dinheiro.
O conhecimento torna-se valioso quando aplicado ao trabalho. As empresas bem sucedidas são as que aprendem de todas as formas possíveis e utilizam ao máximo esse aprendizado. O conhecimento, constantemente renovado e aprimorado, é a principal fonte de vantagem competitiva. No próximo milênio o grande diferencial será o conhecimento, e não só saber fazer, mas fazer bem feito e de forma diferente.
A empresa moderna precisa aperfeiçoar o conhecimento de todos os funcionários e apoiá-los com uma infra-estrutura que facilite o aprendizado e a experimentação em todos os níveis.
A maior parte do conhecimento, ao contrário dos recursos econômicos tradicionais, é infinitamente confiável. O conhecimento pode residir em computadores, discos ou softwares excessivamente complexo. O software é o encapsulamento do conhecimento. Pode ser transmitido para o mundo inteiro em uma fração de segundos, sem que os funcionários da alfândega tenham a menor idéia de que o recurso econômico mais valioso acabou de passar por eles. Enquanto os formulários da alfândega perguntam: Você está transportando mais de mil dólares em dinheiro? as redes transferem diariamente três trilhões de dólares por dia, atravessando as fronteiras norte-americanas.
Na era do conhecimento, as empresas precisam aprender constantemente. A maior parte do conhecimento pode ser copiada. Somente uma pequena fração dele pode ser protegida por copyright ou leis de patente. As empresas aprendem rapidamente a fazer o que seus concorrentes fizeram. Praticamente não existe melhoria de processos que possa ser protegida por lei de propriedade intelectual. O único modo de ficar à frente dos concorrentes é aprender mais rápido e melhor que eles.
Arie de Geus da Royal Dutch Shell, afirma: A habilidade de aprender mais rápido do que seus concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável.
A empresa deve utilizar todo o conhecimento que conseguir reunir. O conhecimento deve ser compartilhado por todos os funcionários. Quando não compartilhado com outras empresas, ele constitui uma vantagem única, porém, precisa ser totalmente compartilhado dentro da empresa.
Estamos no limiar do próximo milênio, onde o conhecimento vai ser fator decisivo nos negócios, juntamente com não só saber fazer, mas sim, fazer bem feito e diferente.


