As vozes que representam o sistema governamental soam uníssonas, parecendo uma bem afinada orquestra quando se trata de defender uma maior arrecadação de impostos, notadamente a já planejada ressurreição da extinta Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, a CPMF. Pelo sintoma, imagina-se que o Governo foi acometido de insidioso mal ao ser-lhe surrupiado o dinheiro desse imposto, que tinha a rubrica de servir à saúde pública. O ministro da Saúde, José Temporão, é um integrante da orquestra que derrama copiosas lágrimas.
Ele declara ser favorável a todas as iniciativas que resultem em mais verbas para o setor, alegando que, depois do óbito da CPMF, o Governo não dispõe dos recursos suficientes para esse atendimento. Não se discute que mais dinheiro é necessário para a causa da saúde, mas não à custa de solapar ainda mais a economia popular por via de novo imposto. Porque meios é que não faltariam se a máquina governamental fosse mais econômica em sua sanha gastadora. Se o discurso dá - com justeza - tanta relevância à saúde, a ponto de considerar uma tragédia o fim da CPMF, bastaria que se racionalizassem os gastos e se destinasse à saúde a parte que lhe cabe.
Não é para fazer tanta caridade aos doentes pobres deste país que o Governo quer recuperar os R$ 40 bilhões anuais perdidos, mas para dar continuidade, no mesmo diapasão, à farra pública imperante. Porque essa verba, que o ex-ministro Adib Jatene conseguiu ver arrecadada para atender ao setor que era pertinente à sua Pasta, nunca foi inteiramente destinada aos fins propostos. E não por culpa dele. Assim foi a seu tempo e assim é agora. Então, toda essa conversa em nome de atender os sofridos doentes sem recursos é apenas uma forma de chantagem perante a opinião pública.
A realidade é que a gastança desordenada e a falta de competência gerencial vêm sustentando essa febre não curada que a viuvez da CPMF gerou. Até agora não se moveu, efetivamente, uma palha sequer para redirecionar o uso do dinheiro e manter o equilíbrio econômico sem prejudicar atendimento algum, especialmente o da saúde. O Governo Lula teima em não mexer nos seus gastos abusivos mas é bem capaz de sacrificar doentes - leia-se cortes nos programas do Sistema Único de Saúde, já moribundo - como forma de justificar seus obstinados argumentos para restabelecer a CPMF.
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