Mais dia menos dia a obsolescência atingirá o seu negócio. A julgar pela velocidade da informação nos dias de hoje – a morte de Lincoln no século passado levou 13 dias para chegar à Europa e a recente crise asiática caiu como um raio em São Paulo em somente 13 segundos. Provavelmente enquanto você saboreia esse jornal, sua empresa tem algum produto entrando em seu estágio final de vida útil.
Não há nada mais estranho e perturbador do que procurar deliberadamente sucatear um empreendimento de sucesso. É um verdadeiro acinte ao saber convencional ouvir um executivo dizer que ‘‘quanto mais rápido puder abandonar um produto bem-sucedido, mais forte e mais lucrativa será a empresa’’. Por outro lado, em uma economia global de livre mercado, todos os produtos e serviços que a sua empresa vende algum dia ficarão obsoletos e, dada a velocidade da mudança, esse dia pode estar mais próximo do que se imagina.
A maioria dos homens e mulheres de negócios aceitará a idéia de que, se desejam prevalecer no mercado de trabalho de hoje, eles e suas organizações precisam urgentemente ser mais criativos. O problema e que não sabem como prosseguir a partir desse ponto e, como não sabem, caem novamente nos mesmos argumentos involuntários que favorecem a inércia.
Atualmente, a melhoria contínua é fundamental; sem ela, uma empresa não sobreviverá no disputado mercado de hoje, muito menos no de amanhã. Os gerentes precisam preparar-se para diariamente colocar suas equipes em processos de geração de novas idéias e métodos de trabalho que garantam a evolução rápida e a modernização dos negócios. Aquele empresário que não observar isso e não cobrar essa postura de seus delegados, pode-se considerar como forte candidato ao breve fracasso.
Àqueles que ainda não pensaram nisso, e ao empresário perspicaz que já decidiu que algo precisa ser feito em relação ao planejamento da obsolescência e a reinvenção, temos alguns conselhos importantes, como o de estimularem sempre as pessoas à sua volta pensarem o impensável, pois assim, nunca acharão que você está acomodado com alguma situação corrente dentro da empresa. Fale sempre com paixão sobre a necessidade das novidades e coloque as cartas na mesa com toda franqueza de modo que todos possuam as mesmas informações que você e passem a ter o mesmo grau de preocupação.
Prepare-se muito bem para enfrentar também as resistências, pois elas com toda certeza virão. Já vi altos executivos e até mesmo fortes empresários perderem a paciência quando as pessoas resistem a mergulhar nesse tipo de processo. Os gerentes acabam ficando surpresos e atrapalhados quando os outros não abraçam a causa da mudança, mesmo quando a evidência esta bem na frente delas. É normal que no processo de obsolescência, as reações negativas apareçam e por conta disso, os mentores e estimuladores do processo não podem ter medo de ‘‘caras feias’’.
O trabalho mais importante na empresa de hoje deve ser o de aprender. Não um aprender estéril e isolado, mas um aprender reciclado, no mesmo instante em que o trabalho está sendo feito. A monotonia, o esperado e a rotina devem ser colocados nas mãos de alguém que ainda não sabe exatamente como fazer. Eventualmente, o empresário ou gestor deve trocar funcionários com outros departamentos para testá-los em atividades de alta incerteza e obrigá-los a improvisar.
Para o gerencialismo de nossos avós, uma boa gestão significava ter um produto ou serviço que convencionalmente criasse para a empresa condições de estabilidade, ordem e previsibilidade. Não há como negar que romper essa regra pode ser tão perigoso quanto a permanência nela. Por isso, recomendo a apresentação para os funcionários de realidades empresariais paralelas, onde o procedimento estável fosse inaceitável e o pensamento convencional fosse constantemente desafiado, insistindo-se para que as pessoas ousassem e experimentassem durante o trabalho. Tenho convicção de que esse é o caminho que inviabiliza a obsolescência, bem como um dos que devem ser seguidos quando a empresa já está precisando superar seus próprios limites.
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas, professor universitário, consultor e conselheiro de empresas
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