Fala-se muito de uma “nova política” como contraposição à “velha política”, aquela que muitos acreditavam ter sido derrotada nas urnas em 2018. Mas bastaram poucos meses de 2019 para se perceber que tanto no Executivo quanto no Legislativo muita coisa ainda precisa mudar para que sejam enterradas práticas como troca de favores, liberação de verbas, negociação de cargos e indicações de parentes e aliados.

A eleição para a presidência do Senado, em fevereiro, no início da atual legislatura, foi o prenúncio de que o sentimento de mudança detectado nas urnas chegava ao Congresso Nacional. A articulação contrária à candidatura de Renan Calheiros (MBD-AL) e o apoio a Davi Alcolumbre (DEM-AP) soou como uma resposta no momento em que os ânimos estavam acirrados.

Mas o rompimento com as velhas práticas não aconteceu como se esperava e , passados seis meses, um grupo de senadores se reuniu numa bancada suprapartidária denominada “Muda,Senado! Muda, Brasil!”

Um manifesto com os principais questionamentos já foi assinado por 21 senadores, encabeçados por nomes como Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Eduardo Girão (PODE-CE) e Lasier Martins (PODE-RS). No texto, o grupo de parlamentares ressalta que nas eleições de 2018 ocorreu uma enorme renovação dos quadros, especialmente no Senado: das 54 cadeiras em disputa, 46 foram ocupadas por novos nomes, uma mudança de mais de 85%.

No topo da lista de insatisfação do grupo está a falta de sintonia entre a pauta do Senado e as demandas da população. Para o grupo, os processos de tramitação precisam ser mais céleres e transparentes. A bancada suprapartidária briga pela abertura da CPI das Cortes Superiores, a chamada "Lava Toga", e a tramitação acelerada da PEC de Reforma do Judiciário. Os três senadores do Paraná, Alvaro Dias (PODE), Oriovisto Guimarães (PODE) e Flávio Arns (Rede) estão entre os signatários do manifesto.

A atuação do Congresso Nacional é fundamental para o País vencer as dificuldades de ordem política, econômica e moral. A expectativa dos integrantes do Muda, Senado! Muda, Brasil! é que a bancada consiga reunir 30 parlamentares nas próximas semanas. O número é fundamental nos duelos de forças na Casa, já que um terço dos parlamentares – 27 senadores – é suficiente para dar entrada com um requerimento de uma CPI.

Esse movimento pode trazer resultados interessantes se conseguir fazer o discurso da nova e velha política sair da retórica. É uma mudança necessária para encurtar a distância entre o povo e o Congresso, proporcionando ao cidadão motivos para se comprometer mais com gestão pública e os destinos do País.

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