A NOVA ITAPERUÇU NASCE UMA CIDADE-MODELO
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domingo, 10 de novembro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Itaperuçu - Uma parceria entre uma organização não-governamental (ONG), a iniciativa privada e o poder público pretende transformar um dos municípios mais pobres do Paraná Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba em uma cidade-modelo. O projeto teve início há sete anos, quando a Fundação Oásis Cidade Aberta (Foca) fez os primeiros testes de viabilidade econômica para a região. Agora os estudos estão na reta final. A população vai conhecer os detalhes do trabalho em uma audiência pública que será realizada amanhã, e as primeiras intervenções devem estar prontas em março de 2003.
Itaperuçu, que tem 20 mil habitantes e uma taxa de crescimento populacional de 2,11% anuais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se emancipou do município de Rio Branco do Sul em 1992. A cidade é uma das mais violentas do Estado. De acordo com a prefeitura, 80% das casas recebem água potável, mas não há esgoto tratado.
Essa situação levou a Foca a escolher Itaperuçu para ser transformada em uma cidade-modelo. ''A cidade é um município novo com muitas carências e que necessita de apoio. Ao mesmo tempo, havia disponibilidade da iniciativa privada e da administração pública para tocar o projeto'', diz a presidente da fundação, Marília Bernardes. Também pesou a proximidade da cidade com Curitiba, sede da Foca, que hoje tem representantes em outros três estados.
O projeto, ''Desenvolvimento e Valorização Territorial Sustentável e Integrada'', tem objetivos econômicos, sociais, culturais e ambientais. O ponto de partida para desenvolver a cidade é a agricultura. Há sete anos a Foca iniciou a análise territorial da cidade, com base em oito pontos principais, para definir um plano estratégico. As análises e o projeto recebem o apoio da Votorantim, que tem uma das poucas fábricas de Itaperuçu. A Foca também obteve ajuda do Smithsonian Institute, instituição do governo dos Estados Unidos.
A análise levou em conta as atividades já existentes, a relação com mercados externos, recursos físicos, know-how, recursos humanos, culturais, identidade territorial e instituições. ''A cidade não tinha opções culturais, não tinha relação com mercados e as áreas agrícolas estavam degredadadas, devido ao uso de agrotóxicos sem cuidado'', relatou Marília. Para implantar as mudanças propostas, a cidade vai ganhar um novo plano diretor, que está sendo feito pelos professores do curso de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC).
Ao mesmo tempo que realizava os estudos, a Foca começou os contatos com empresários de Portugal, Itália, Espanha, França e Estados Unidos interessados em adquirir os produtos feitos em Itaperuçu. De acordo com Marília, já foi fechada parceria com uma empresa de distribuição de frutas em toda a Europa. Os contatos continuam. Depois de apresentar aos moradores de Itaperuçu a proposta, os envolvidos no projeto vão receber um grupo de empresários portugueses. No final de novembro, partem para um road-show na Itália, onde querem convidar um grupo a vir ao Brasil conhecer a cidade.


