Melhor do que medidas proibidoras do uso do tabaco será a conscientização dos fumantes para os malefícios que essa substância causa ao organismo. Até porque será impossível controlar hábitos por intermédio de decretos, mas, ao menos, se faz necessário o estabelecimento de normas sobre locais onde não fumar. De todos os vícios o que mais mata é o fumo, superando as drogas convencionais, já tão perigosas e constituindo hoje outro dos grandes males da humanidade. Há que realizar intensa campanha de alerta, com depoimentos de especialistas da área da saúde, e deter de todas as formas a propaganda dos produtos do tabaco. Quarenta países, Brasil incluído, já assinaram a Convenção de Controle do Tabaco, que começará a vigorar em três meses. Os signatários ficam obrigados a cumprir os termos desse tratado, que prevê proibição da venda de cigarros a menores de 18 anos, a presença de rótulos ostensivos mostrando os perigos que o fumo causa e restrições à propaganda. A Organização Mundial da Saúde mostra que 5 milhões de pessoas o correspondente à metade da população do Paraná morrem por ano no mundo em consequência de doenças originadas do fumo. Entre outras medidas o tratado prevê uma sobretaxação sobre o cigarro, de forma que o torne um produto caro e pelo menos induza alguns ao abandono do vício por simples economia. Muitos estudiosos da questão dos vícios humanos afirmam que é inútil colocar na ilegalidade o cigarro, as bebidas alcoólicas, as drogas, porque estas últimas já são proibidas e, no entanto, continuam sendo produzidas, comercializadas e consumidas. Não se sabe até que ponto a proibição produz efeitos positivos ou não porque não se tem a medida do que poderia estar acontecendo sem a restrição, no caso das drogas mas é certo que será necessário endurecer, por todos os meios disponíveis, para deter o avanço dos vícios. A mais importante solução é, sem dúvida, a responsabilidade individual que cada cidadão deve ter com a própria saúde, porque as doenças têm custo social e parte dele é pago pelos que fumam, bebem e consomem drogas e pelos que não carregam esses vícios mas são obrigados a pagar também. No caso do cigarro, os não fumantes são igualmente prejudicados porque absorvem a fumaça de igual teor de nocividade. O tratado ora assinado é mais um passo no sentido de dificultar o vício do fumo, mas ele deve vir acompanhado de campanhas permanentes de esclarecimento aos fumantes, através de imagens e mensagens fortes que causem impacto e possam induzir o despertar da consciência dos viciados.

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