Ao desatrelar-se do Governo Lula o PMDB tem a responsabilidade de exercer oposição construtiva, de forma a sensibilizar e mobilizar as autoridades no poder para a correção de distorções do sistema e mudanças de rumos, onde necessário, destacadamente na política econômica. ''O Paraná não ganhou nada do Governo Lula'' declara o governador peemedebista Roberto Requião, justificando o divórcio que agora acontece. Por via de inteligentes caminhos de oposição poderá, então, ocorrer de o Estado beneficiar-se mais, pelo livre e democrático exercício da pressão. É importante o rumo que o velho PMDB irá trilhar, doravante. Certamente que não servirá às causas maiores da pátria se, eventualmente e sua tradição não aponta para essa direção converter-se em oposição sistemática semelhante à que o PT de outrora fez, dentro do Parlamento. Integrante de um dos três Poderes que compõem o Governo, a representação parlamentar do PMDB, numerosa e por isso importante, deverá, agora sem vinculação direta com o Governo até porque retira os ministros do partido abraçar as grandes causas que exigem exame e discussão no Congresso. Não é do feitio do PMDB dificultar a governabilidade, mas sua posição deverá ser de vigilância e de mais vigorosa ação, agora que desfaz-se sua aliança com o PT e o Governo. Se o PMDB é um partido sempre habilitado a eleger um presidente da República de seu próprio quadro, sabe que estará mais apto a habilitar-se para isso e a granjear a simpatia do eleitorado na medida em que melhor for seu desempenho no Parlamento. A postura de oposição não será impedidora de a bancada do PMDB aperfeiçoar e aprovar projetos do Governo e do próprio PT e naturalmente que também dos demais partidos e ser forte condutor no apressamento das reformas que o Congresso deve votar, e que reclamam mais que urgência. Estar fora de alianças com o governo e não ser governo não significa ausência de responsabilidade. O que os cidadãos esperam é que partido desempenhe seu papel de opositor nos casos em que isso se fizer necessário, mas que cumpra seu dever de batalhar pela votação de matérias que reclamam urgência e na formulação de projetos que obriguem o Governo a também mobilizar-se. Só isto justifica ser um partido de representação popular, que, obviamente, não deve enfraquecer ou inviabilizar o governo no poder, mas ser, através de seus membros lotados no Congresso Nacional, um agente de mudanças de leis e sistemas. É na harmonia dos contrários que se fundamenta a democracia e a sábia conduta. No mais dos casos, o que se lê e ouve oriundo dos partidos é que desejam o próprio fortalecimento com vistas às eleições seguintes afinal uma aspiração legítima mas o PMDB, sem prejuízo desse ideal, tem agora a oportunidade de mobilizar com mais desenvoltura seus parlamentares, seus governadores, seus prefeitos e ocupantes de outras funções eletivas de suas hostes, e provocar uma vigorosa ação política em defesa dos grandes ineteresses da nação brasileira. E especialmente neste momento prestes a encerrar a primeira fase do mandato do Governo Lula e que não deve mais pautar-se por promessas, mas por realizações.

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