O surgimento de um novo polo de cevada cervejeira em municípios como Mauá da Serra e Marilândia do Sul é um exemplo de como a combinação entre cooperativismo, inovação, investimento industrial e planejamento estratégico pode abrir caminhos para o desenvolvimento regional.

O agronegócio paranaense sempre demonstrou capacidade de adaptação diante dos desafios. Nos últimos anos, produtores de trigo enfrentaram margens cada vez mais apertadas, pressionados pelos altos custos de produção, pela instabilidade climática e pela concorrência de produtos importados.

O milho safrinha, por sua vez, também deixou de oferecer a rentabilidade de outros tempos. Nesse contexto, a cevada surge como uma alternativa capaz de ampliar as oportunidades econômicas e fortalecer a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Na rotação com a soja, a cevada surge com força em terras agricultáveis com altitude mínima de 750 metros mesmo fora das regiões tradicionais da cultura, Centro-Sul e Campos Gerais.

A novidade é um reflexo dos investimentos bilionários na produção de malte na metade sul do Estado. O malte é uma das matérias-primas usadas na receita para a fabricação da cerveja. O Paraná é o líder nacional em volume de produção e abriga a maior maltaria independente da América Latina.

Para suprir a demanda das novas unidades de malteação, os agricultores que alternam plantios de grãos em municípios como Apucarana, Rolândia, Ibaiti, São Jerônimo da Serra, Ortigueira, Wenceslau Braz e Siqueira Campos, só para citar alguns exemplos, são considerados potenciais fornecedores de matéria-prima para as maltarias.

Por enquanto, a fronteira da cevada cervejeira no Norte está restrita a 48 produtores, mas neste inverno de 2026 a lavoura, que começou com cinco hectares em 2022, já se alastra por 5 mil hectares e há quem diga na região que a área pode até dobrar nos primeiros anos da próxima década.

O sucesso inicial da experiência conduzida por cooperativas demonstra a importância de modelos de integração que reduzem riscos ao agricultor. Garantia de compra, assistência técnica especializada e logística estruturada criam um ambiente favorável para que produtores invistam em novas culturas com maior segurança.

A história também evidencia a força do cooperativismo paranaense. A parceria entre diferentes organizações agrícolas permitiu unir conhecimento técnico, capacidade de investimento e visão de longo prazo. Os resultados aparecem não apenas na lavoura, mas em toda a cadeia produtiva, movimentando transporte, armazenagem, pesquisa, tecnologia e geração de empregos.

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