A nova economia
J. Roberto Whitaker Penteado
A revista americana ‘‘Business 2.0’’ acaba de completar um ano de vida. Toda dedicada ao que se denomina, hoje, ‘‘e-business’’ - contrariamente à revista ‘‘George’’, de John Kennedy Jr., que morreu, sobre política - sua circulação só tem aumentado e situa-se nos 160 mil exemplares de 180 páginas com muitos anúncios. Tem aspecto e ‘‘cheiro’’ de prosperidade.
O jovem editor da revista (pela foto, não tem ainda 30 anos) assina um editorial autogratulatório em que atribui o sucesso à descoberta, disseminação e prática dos ‘‘10 Princípios Dinâmicos da Nova Economia’’. Como eles estão disponíveis em www.business2.com, achei que seria interessante conhecê-los e também contribuir para sua difusão em terras brasileiras, onde ainda há umas poucas pessoas - como eu e V., amigo leitor - interessadas em trabalhar para construir um país eficiente e moderno. Vamos aos ‘‘princípios’’.
1. Matéria. Tornou-se menos importante. Processar informação é dramaticamente mais barato e eficaz do que transportar produtos. Cada vez mais o capital das empresas circunscreve-se a pessoas, idéias e a agregação estratégica de informações e de conceitos.
2. Espaço. As distâncias desapareceram. O mundo é seu cliente e/ou concorrente. Pela primeira vez na história, V. tem a possibilidade de entrar em contato instantaneamente com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. E o seu concorrente também.
3. Tempo. Entrou em colapso. A interatividade possível, hoje, é instantânea. Neste novo mundo de conexões instantâneas, chegará na frente quem for mais capaz de responder de imediato, aprender e adaptar-se às circunstâncias em tempo real.
4. Gente. São as jóias da Coroa... Mas não se tratará de gente ‘‘manual’’ e sim de gente pensante. Brainpower. Gente capaz de assimilar rapidamente as novas tecnologias e desenvolver novos decálogos, como este aqui. E de ser criativo a partir dos novos conceitos. Gente que só se obtém com educação. Com muita educação e da melhor qualidade.
5. Crescimento. A grande rede de informações permite a aceleração do lançamento e da adoção de novos produtos e serviços como em nenhum outro momento da história. Com isso ganham as empresas (e as pessoas) capazes de sair na frente e de criar comunicação - no conteúdo e na mídia - que realmente ‘‘toque’’ as pessoas e faça com que elas ajam.
6. Valor. Cresce exponencialmente com a participação de mercado. Para os produtos que possam estar presentes no mundo todo - e que se tornem padrão - a grande rede multiplica as oportunidades. Assim, muitas empresas high-tech distribuem seus produtos (e serviços) básicos de graça, para poder vender posteriormente complementos e extensões de linha.
7. Eficiência. Apesar da possibilidade de contato direto entre comprador e produtor, surgiu um novo tipo de intermediário-distribuidor: o ‘‘infomediário’’ (que palavrão) capaz de traduzir os grandes agregados de database em segmentos compreensíveis - e potencialmente lucrativos.
8. Mercados. Ninguém precisa mais ‘‘ir às compras’’, comparar preços e serviços. Através de simples cliques de mouse, os compradores ganham poder e os vendedores oportunidade. Softwares inteligentes vão auxiliar o consumidor do futuro a escolher as suas melhores opções.
9. Transações. A memória ilimitada da rede de comunicações torna uma realidade o atendimento um-a-um dos livros de receitas de sucesso de marketing. Tornou-se possível o registro regular e autocorretivo de todas as transações efetuadas entre pessoas físicas ou jurídicas. As compras-repetidas (repeat-purchases) são, de fato, imediatas.
10. Impulso. Todos os produtos estarão disponíveis em todos os lugares. Fechou-se o intervalo entre desejo/necessidade e aquisição/satisfação - tudo através de um clique no botão buy do seu computador.
Será mesmo que o Brasil fará parte dessa Nova Economia? O que V. acha?
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é professor universitário e dirigente de instituição de ensino superior no Rio de Janeiro
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