Uma demissão já esperada aconteceu na tarde desta quinta-feira (16). O agora ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro após os dois se reunirem no Palácio do Planalto.

Era uma questão de “quando.” Após uma entrevista (considerada por muitos equivocada) dada pelo ex-comandante da Saúde ao Fantástico, no último domingo, o País já esperava com uma incômoda naturalidade a saída do médico que conduziu o Brasil até agora na grave crise da Covid-19.

A troca de um ministro da Saúde em meio a uma pandemia que passou de dois milhões de infectados no mundo e mais de 128 mil mortes não é uma estratégia boa e até a imprensa internacional reagiu.

Mas se até a fatídica entrevista Mandetta estava em posição confortável, no comando e com o respaldo do País e de ministérios, a situação mudou quando o médico ortopedista e ex-deputado federal da bancada ruralista pelo Mato Grosso do Sul resolveu deixar clara a sua discordância com Bolsonaro.

Ao colocar lenha na fogueira, o ex-ministro perdeu o apoio da ala militar, que o apoiou anteriormente quando o presidente estava decidido em colocá-lo para fora de sua equipe. Para o chefe da nação, a economia não foi tratada da forma como ele gostaria durante a pandemia.

Mandetta chegou ao ministério como um político regional e saiu com grandeza nacional e apoio de 70% da população. Se foi uma derrota individual para o ex-deputado federal, só o futuro dirá. Para o País, o que preocupa é uma derrota coletiva na luta contra o coronavírus.

Até quinta-feira, o Brasil tinha quase duas mil mortes confirmadas por Covid-19 e mais de 30 mil pessoas infectadas pelo vírus Sars-Cov-2. Esse é o cenário que o novo ministro, o oncologista Nelson Teich, está encontrando.

Após as divergências gritantes entre Mandetta e Bolsonaro, o que se espera é que o novo ministro tenha autonomia e liderança para dar um rumo certo ao trabalho do Ministério da Saúde durante a pandemia da Covid-19.

Em seu discurso nesta quinta-feira, Teich disse que existe um "alinhamento completo” entre ele e Bolsonaro e reforçou o pensamento de que saúde e economia são complementares e não podem competir. Por outro lado, ele não pregou o fim do isolamento social. O novo ministro disse apenas que "não vai haver qualquer definição radical" sobre isso.

Teich tem um perfil de excelência técnica e experiência em gestão, qualidades importantes para o momento atual. O Brasil espera que ele encontre um Norte e conduza a crise com competência.

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