Nos últimos tempos, tem se cobrado muito das empresas e dos empresários uma contribuição mais engajada e efetiva para a melhoria do nível de vida da sociedade. O conceito que abriga tal demanda é o da responsabilidade social. Trata-se, na verdade, de uma legítima reivindicação, mesmo se sabendo que, nos últimos sete anos, a carga fiscal bruta aumentou de 24% para 34% do PIB, sendo que o ônus recai principalmente sobre a área produtiva. Contabilize-se, ainda, um rebaixamento do crédito bancário para produção e consumo, nos últimos meses, de 33% para 26% do PIB, o que vem agravar, mais ainda, parcelas da produção em nosso País.
Isso, porém, não pode ser usado como tapume para que os setores organizados, entre os quais, o universo empresarial, eximam-se de sua responsabilidade social. A moldura nacional, afinal de contas, exige que os cidadãos, os empresários, os homens públicos, no limite de suas possibilidades, aumentem a sua contribuição para se alcançar a meta de desenvolvimento harmônico da sociedade. O Brasil, infelizmente, ainda exibe uma moldura de graves deficiências. Quase 30% dos lares brasileiros, em 1999, de acordo com a Comissão Econômica da América Latina, estavam abaixo da linha de pobreza, o que significavam 37,5% da população.
O que podemos fazer para atenuar o panorama das desigualdades sociais? Sabemos que a força maior é a dos instrumentos de política macro-econômica, com os eixos que incidem sobre as áreas da produção e do consumo; a força está, ainda, no planejamento e na execução de eficientes e eficazes políticas públicas, particularmente nos campos da sa© úde, saneamento básico, educação, habitação. Ou seja, ao lado da infra-estrutura econômica, há de se cuidar para instrumentalizar e reforçar a área social. Mas o universo organizado da sociedade há de funcionar como batalhão auxiliar na permanente guerra para se combater a miséria, a fome e as desigualdades.
Saindo do seu campo específico de responsabilidades, que incluem uma contribuição na forma de emprego para os cidadãos (responsabilidade quanto à segurança pessoal e familiar), treinamento e qualificação de quadros profissionais (responsabilidade educacional), oferta e distribuição de produtos de qualidade (responsabilidade para com os consumidores), as empresas podem acionar outros mecanismos que as conduzam ao caminho da solidariedade e integração social. As parcerias com outras instituições no campo da assistência, da educação e saúde, a busca de soluções criativas para melhorar os padrões de vida das populações mais pobres, constituem, entre outras, formas avançadas de responsabilidade social.
Quando uma empresa ou um grupo de empresas se junta a uma entidade de cunho assistencialista, para buscar caminhos de ajuda e proteção a grupamentos carentes, está seguramente se posicionando no arco da responsabilidade social. Da mesma forma, integra a responsabilidade social de uma empresa sua preocupação com a preservação do meio ambiente, com o planejamento urbano, com a melhoria da qualidade de vida nos bairros, nas periferias mais distantes. Portanto, qualquer compromisso de adição de soluções para os graves problemas das comunidades - não importa o tamanho da contribuição - deve ser visto como um esforço de responsabilidade social.
No nosso âmbito, estamos empenhados em oferecer uma contribuição efetiva à nossa sociedade, por meio da parceria de um sistema cooperativo, que formamos, com uma entidade assistencialista, digna e de respeito, que poderá redundar em interessante experiência no campo da racionalização e aproveitamento de insumos e alimentos. O importante é começar a experiência. Estamos tomados por grande motivação e, mais isso, determinados a oferecer uma contrapartida no campo da assistência social.
Não é preciso ir longe para se buscar a melhor idéia, a solução mais criativa. A solução está, frequentemente, bem perto de nós. Como lembra muito bem Hermógenes, o filósofo grego: ''Quando eu disse ao coração da laranja que dentro dela dormia um imenso laranjal, ele, coração, me olhou estupidamente incrédulo''. Há laranjais que moram dentro dos nossos ambientes de trabalho e outros tantos que habitam os nossos corações.
- PAULO MUNIZ é empresário em Londrina e presidente da Associação de Avicultura dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar)

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