Embora o voto em branco seja também uma decisão, o brasileiro apto a votar aproveitará melhor a sua cidadania se optar pela escolha dos candidatos aos seis cargos que figuram na tela da urna eletrônica. A anulação do voto, se é uma forma de protesto a que o cidadão tem direito, caracteriza omissão, que poderá resultar na subida dos menos capazes e dos indesejados por esse mesmo eleitor. Assim, o voto nulo pode converter-se em voto útil, mas de resultado que o votante não queria. Se há um desencanto generalizado da população com os governantes, não existe fórmula melhor senão a de votar, e esta é uma regalia que a democracia política oferece aos cidadãos. Pelo exercício desse direito pode-se alcançar os benefícios da democracia econômica que tanto se busca e que ainda não está consolidada no Brasil.
O sistema da representatividade, ao menos quanto ao processo de escolha, funciona com toda a plenitude, porque é livre ao cidadão filiar-se a partidos políticos e participar, já na origem, do selecionamento dos candidatos, da mesma forma que é de sua soberana decisão sufragá-lo nas urnas. Mas o brasileiro não é afeito a vincular-se a um partido, e também aí, por omitir-se, dá oportunidade a que outros eventualmente menos capazes e mais oportunistas decidam por ele. Assim, não vota nessa escolha primária e também não pode ser votado. Segue-se o seu descaso de não policiar os eleitos quando no exercício da função, e dessa forma o governante sente-se livre para mandar e desmandar. A indiferença resulta nas consequências que não se deseja, tirando do cidadão omisso o direito moral de protestar, depois.
Uma nação forte e soberana só se constrói com participação, porque ainda não se conheceu caminho melhor. Neste 6 de outubro histórico, mesmo em meio à desesperança de muitos, paira no íntimo da maioria dos cidadãos um anseio de mudança. Há indignação da nação inteira ante tantos casos de incompetência, arbítrio, esbanjamento e corrupção nas administrações públicas, mas o Brasil melhor que se deseja será construído não somente pelos governantes, mas sobretudo pelos cidadãos brasileiros. A construção começa em momento como o dia de hoje. Se há casos em que o eleitor não terá outra opção senão eleger o menos pior, então que o faça, mas que dê validade ao voto. A hora é também propícia para a tomada de consciência de que não basta votar, mas também policiar a atuação dos eleitos, porque política é uma ação civilizada e deve ser exercida todos os dias, por todos os cidadãos.

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