A necessidade de mão-de-obra técnica
Bastou o Brasil dar um pequeno salto em seu desenvolvimento, que ocorreu a escassez de mão-de-obra especializada, não só em trabalhos mais pesados - como os básicos da construção civil - mas também em outros, exigentes de qualificação.
O fenômeno é nacional, e especialmente em São Paulo as próprias
empresas estão há algum tempo formando o pessoal de que necessitam, porque as
escolas profissionalizantes não estão fornecendo a quantidade e nem a qualidade desejadas. Mas a notícia é mais boa que ruim, porque se o País negligenciou nos programas de suficiente formação de trabalhadores denominados técnicos, a procura maior que a oferta revela um Brasil em crescimento.
Os jovens têm buscado preferencialmente chegar aos cursos universitários, mas existe agora mais demanda em outros segmentos de trabalho, com salários atraentes, alguns quase se nivelando a certos profissionais de curso superior. Já não se encontra diante de edifícios em construção placas do tipo ''não há vagas'', que frustravam e levavam ao desânimo trabalhadores em busca de emprego. Mas há muitas outras áreas reclamando profissionais treinados
e que não existem em disponibilidade suficiente.
Essa expansão da procura não era esperada e pegou o Brasil de surpresa, alertando para o fato de que, quem cuidou de especializar-se
nesses serviços agora mais procurados, está com ocupação garantida e com
salário satisfatório, ao menos para as condições brasileiras. Isto irá com
certeza redirecionar o enfoque da preferência por qualificações profissionais,
eventualmente sem abandono do ideal de um diploma universitário mas com a
atenção para um emprego imediato por via de cursos técnicos paralelos.
Embora o Governo haja contribuído pouco para esse salto de melhoria - porque não diminuiu impostos e não aliviou a sobrecarga das empresas - o momento é de mais otimismo, e isso se deve ao fato de que, apesar dos entraves representados pela presença do poder público, o empreendedorismo privado não se deixa abater.
Enquanto os governos se locupletam na farra pública dos gordos ganhos e mordomias o Brasil cidadão avança e vai encontrando o seu caminho. Esta ainda não é a plenitude do emprego, porque - como este Jornal noticiou recentemente - só em Londrina, como exemplo, 10% da população sobrevive com apenas R$ 4 por dia, justamente pela baixa qualificação e pelo pouco estudo. O caminho a percorrer é ainda longo mas já existe uma marcha mais firme, renovando a esperança de que se chegará lá.





