A necessidade de discutir danos da bebida
A campanha que se trava em muitas cidades para o fechamento dos bares às 23 horas encontra forte resistência, mas é certo que as bebedeiras resultam em quase 90% das internações hospitalares e 60% das mortes violentas registradas no Brasil entre jovens de 18 e 25 anos. A estatística é alarmante e remete para outras constatações, como a de que esses jovens bebem depois das aulas, nos bares, e sobe o número de mulheres da mesma faixa aderindo à bebida. A cerveja, que no passado era apenas para os homens, já não figura nesse preconceito.
Estes dados são fornecidos pela pedagoga Edilaine Bertucchi, da universidade Unioeste, de Presidente Prudente, por via de seu mestrado em Educação e que teve como objetivo discutir o papel do professor no combate ao alcoolismo. Ela revela o que, em verdade, já se sabe: que é fácil encontrar estudantes bebendo no horário noturno, depois de saírem da escola, e que conforme sua pesquisa junto a 1.341 universitários muitos viciam na bebida, têm notas escolares baixas, abandonam os estudos, tornam-se agressivos e passam a roubar dinheiro em casa para beber ou adquirir cocaína e outras drogas ilícitas, porque eles também descambam para esses vícios. Pela sua conclusão, o álcool é também indutor ao consumo de drogas. Os resultados são desastrosos. O fechamento dos bares, justamente no horário do fim das aulas, não foi assunto focalizado pela pedagoga, mas é uma solução proposta por muitos como atenuadora desse problema. Na maioria dos países adiantados esses estabelecimentos começam a fechar logo a partir das 11 da noite, embora haja exceções em certos bairros que já ficaram mundialmente famosos pela sua efervescência noturna.
São também de alguns desses países as tentativas de impor uma lei sêca´´ absoluta, o que não alcançou resultado, mas ao menos horários limitados dos bares foram implantados, e vigoram. No Japão, por exemplo, bebe-se muito depois do trabalho diário, mas os próprios bebedores (homens e as mulheres executivas) adotam a prática de um dos membros do grupo nada beber (por um sistema de revezamento) para guiar o automóvel e levar os demais para casa. Isto é adotado como hábito rígido, embora as exceções, porque dirigir alcoolizado implica em pesadas sanções..
Como essa conscientização ainda não existe no Brasil e o número de internações citadas e as mortes no trânsito o atestam algo precisa ser feito para deter essa marcha. A propaganda de cerveja, como foi no passado a do cigarro, é atraente porque mostra pessoas de aparência saudável e sorridentes, geralmente belas mulheres com seus belos corpos (e algumas bem conhecidas nem bebem, ao que se sabe). Combater a guerra das cervejas´´ será deflagrar outra guerra, por envolver poderosos interesses econômicos. A delicada realidade está posta e é uma questão que precisa mover a inteligência das autoridades e da sociedade.





