A necessidade da mobilização social
Não é apenas votar que importa e nem eleger os considerados melhores, mas importa muito mais cada cidadão decidir, num dia como hoje, que vai sair da zona de comodismo em que tem se mantido e passe a exercer mais política. Isto se processará pela vigilância e cobrança aos eleitos e pela reação às suas atitudes indignas, porque se a sociedade deixá-los à rédea solta eles as cometerão, ou se acomodarão nos cargos, apenas beneficiando-se das regalias do poder, que são tentadoras.
Tão bom não fosse ganhar gordos salários, dispor de polpudas verbas de representação, acenos de ganhos escusos e mordomias, não haveria tanto empenho em assumir um cargo eletivo e nunca querer perdê-lo - a não ser em alguns honrosos casos de quem se escandalizou com o experimento e desencantou-se, ou que por outras razões desistiu da carreira política. A mobilização popular deve ser constante contra os desmandos das administrações públicas, dos parlamentos e também das cortes da Justiça que eventualmente se desviem do reto caminho.
Não basta dizer que uma coisa é legal ou ilegal, mas é preciso por a mão na consciência e se perguntar: e eu, o que estou fazendo? Estas são palavras ditas dias atrás em rápida declaração a este Jornal pela atriz Deborah Secco, que participava de um evento em Londrina. É hora, como ela disse, de deixarmos a condição cômoda de expectadores e assumir nosso papel cívico. ''Não se pode creditar tudo aos políticos, e se é feio o que eles fazem, é horrorosa nossa condição passiva''. De fato, já passa do tempo de a sociedade organizar-se, porque lhe cabe por dever de cidadania participar do processo de mudanças. Se, como se tem dito, os homens públicos são originários do seio das comunidades, a campanha de moralização precisa igualmente ser encetada no próprio núcleo social. O voto é um primeiro passo, porque a vigilância deve instalar-se como política obrigatória dos cidadãos.
O povo tem grande poder, e nem sequer sabe avaliar isto, porque não o executa. É equívoco pensar que as autoridades não temem o povo. Mas se elas se acomodam e não são cobradas, o que aparenta ser um desrespeito delas com a sociedade é isto sim um consentimento desta para com elas, manifestado pela ausência de ação quando necessário. Só a população conserta os maus políticos e os maus gestores públicos, e nunca serão os políticos que consertarão os cidadãos e melhorarão as coisas. A sociedade deve, antes, esperar de si mesma. O processo de votar é apenas um começo.





