A Constituição estabelece a garantia dos direitos individuais, incluindo o de votar e ser votado, e que ninguém envolvido em processo fica sujeito a restrições a não ser por condenação transitada em julgado. Mas a Carta Magna também ressalta que a administração pública deve estribar-se na moralidade. Sob o aspecto moral, este último preceito deve prevalecer sobre os outros. Tudo o mais será discussão acadêmica, de limitado alcance para a maioria dos cidadãos, mas estes sabem distinguir quem é um político honesto e quem já está maculado por denúncia de improbidade.
Se todas as leis fossem claras não haveria prateleiras abarrotadas de livros jurídicos e de jurisprudências. Mas há um entendimento único, o de que aqueles que têm ficha suja não deveriam ocupar cargos eletivos e nem funções que possam propiciar danos à administração pública. Ninguém é obrigado a candidatar-se, por isso os que têm sobre si acusações deveriam abster-se de concorrer. É discutível a interpretação de que este é um pré-julgamento se a lei maior consagra a moralidade. É justo que a já rescaldada opinião pública não veja com bons olhos tais postulantes.
É lícita a rejeição, porque esta é uma forma de salvaguardar a tão almejada sanidade das instituições. Se as leis dão ensejo a dúbios entendimentos, então precisam ser aclaradas nesses pontos de maior relevância, para que não pairem dúvidas, e valores maiores - um deles a gestão dos negócios públicos - não sejam prejudicados. Não se encontrará nos arquivos da história uma acusação criminosa contra homens públicos honestos. Então, quando um político ou qualquer candidato são denunciados, é pouco provável que alguma coisa não devam. Verdade que a maioria se safa, por conta das amplas brechas da legislação e mesmo diante das muitas evidências. Melhor então é eliminar pela raiz eventuais problemas futuros.
Se é certo que a democracia representativa deve contemplar o julgamento pelo voto, tanto melhor se não for apresentado à escolha do eleitor um produto com suspeita de deterioração. Daí o válido exercício, igualmente democrático, de um prévio selecionamento. Se muitas ações envolvendo candidatos ainda não chegaram a termo, deve-se culpar a lentidão do sistema judicial, que permite procrastinações sem fim. Não se pode colocar na gôndola do mercado uma mercadoria com sinais de podridão ao lado da sã para que o consumidor escolha. A depuração deve ser feita antecipadamente. Assim com os candidatos sob suspeição.

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