Não foi o produtor rural que se endividou, mas endividaram o produtor. Palavras do ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, ao abrir em Londrina a Exposição Agropecuária e Industrial. E o presidente da entidade, Alexandre Kireeff, complementa que os devedores não estão pedindo perdão de dívidas mas apenas que sejam levados em conta processos de construção desse endividamento. Estas são posições de relevância, porque existe nessas dívidas muita ''gordura'' representada pelos juros sempre elevados e outras incidências.
Se todas as classes produtoras, nos mais diversos campos, têm direito de reclamar a renegociação (com vantagens) de débitos tangidos por juros abusivos - mesmo que estes sejam mais baixos para setores da produção e dos negócios e serviços - tudo o que se fizer pelo produtor rural será sempre pouco, porque não é ele o grande ganhador na atividade agrícola. Mesmo com boas safras, os custos de produção são muito altos. Quando o tempo não ajuda, por secas, vendavais, chuvas de granizo, queda no preço de seus produtos e outras imprevisões, o homem do campo fica amargando prejuízos, que ele espera compensar na safra seguinte mas muitas vezes ocorre de esses contratempos se repetirem.
Reside aí uma das causas do acúmulo de dívidas e a razão para que esse endividamento seja constantemente renegociado. Porque, se os negócios do campo forem a pique, todos os demais setores sofrerão consequências e a própria nação perecerá. Muitas das dívidas tiveram origem nos Planos Cruzado e Real e hoje chegam a R$ 87 bilhões. O projeto de reestruturação já vem sendo discutido há bastante tempo, sem conclusão, porque existe muita discordância. Se aprovado, irá beneficiar 35 mil produtores rurais, com descontos de até 80% e prazo de 5 anos para liquidação dos débitos. Os mais contemplados serão os que têm dívidas pequenas, proporcionais ao seu negócio.
Toda a atividade produtiva deve merecer atenção especial quando enfrenta dificuldades econômicas, porque neste país existem os que produzem e os especuladores financeiros, e são justamente estes que inflacionam as dívidas. É o setor especulativo tangendo o produtivo, e aí se inclui também o banco oficial, que não hesita em tomar uma propriedade agrícola por conta de débitos não cumpridos e que, sabidamente (a não ser em alguns casos isolados), nunca ocorrem por má fé.
É sempre necessário dizer que os produtores rurais dinamizam a economia, geram empregos, robustecem os negócios pertinentes e também os indiretos, produzem receita tributária e colocam o alimento à mesa dos brasileiros. Só no ano passado o agronegócio contribuiu com 60 bilhões de dólares para a balança comercial externa e proporcionará na presente safra 140 milhões de toneladas de grãos. Mais não será preciso dizer.

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