Se o Brasil vive a triste realidade de estar infestado de bandidos, é óbvio que o enfoque central deve ser o combate a esses delinquentes. Mas diante da pouca garantia de segurança pública, é preciso que cada cidadão tome as necessárias cautelas e evite as facilitações. É dever do Estado dar proteção à sociedade, mas isto não tem funcionado com a eficiêcia desejada. Então, cada qual deve precaver-se e evitar gestos de valentia reagindo a assaltos. É melhor perder dinheiro que a vida.
No caso de mais um latrocínio que acaba de acontecer em Londrina, não se soube se a vítima - que entrava no banco com um malote de dinheiro - teria reagido ao assalto, mas supõe-se que sim, porque o bandido atirou. Neste ou em outros casos semelhantes, medir força é luta no mais das vezes perdida pela vítima de assalto, porque quem planeja um atentado ao patrimônio alheio está sempre armado e disposto a matar se encontrar resistência. E porque tem uma arma, leva a melhor, ao menos nesse momento.
A recomendação é que não haja reação nos casos de roubo e assalto. Em outras circunstâncias, como a legítima defesa da vida - própria ou de terceiros - manifesta-se o irresistível instinto de preservação, quando não há outra saída, e esta é uma contingência de mais complexa avaliação. O direito contempla o agente dessa ação, também ela perigosa mas de proteção à integridade física e não a valores materiais. Também a defesa do patrimônio é legítima, mas não se há risco de enfrentamento que possa resultar em morte ou ferimentos. Não consola saber-se que episódios idênticos acontecem no Brasil inteiro, mas é entristecedor para um povo conviver com tanta insegurança e à mercê de criminosos.
Quem leva aos bancos malotes com dinheiro precisa mudar hábitos, alterando rotas e sistemas, e de preferência pagando empresas especializadas nesse transporte - uma prática que irá aumentar custos, porém providencial diante de tanto perigo. De sua vez, os bancos precisam dar mais proteção ao cliente, não só colocando seguranças no setor interno para proteger o próprio dinheiro (como fazem) mas também no estacionamento e no lado externo das portas de entrada da sede. Isto deveria ser obrigatório por lei. Porque os bancos desfrutam dos benefícios mas pouco se preocupam com cuidados em favor da clientela.

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