A necessária função social de bancos e estatais
Como qualquer empresa, os bancos visam e devem obter lucro, e também lucro grande se isto resultar de juros razoáveis e de boa qualidade dos serviços, mas não se for à custa de prejuízos para a economia como um todo. Neste primeiro semestre as instituições financeiras listadas na Bovespa obtiveram lucro astronômico, com um crescimento de 13,1% sobre o mesmo período do ano passado. Isto não ocorre com a maioria das empresas privadas. Há um descompasso enorme nessa relação.
Também as empresas estatais registraram ganhos formidáveis, como a Petrobras (cujos produtos são caríssimos para o consumidor) e as empresas do setor elétrico, que vendem energia cara para o sistema industrial e para as moradias. O setor de mineração, também estatal e fornecedor de matéria-prima, é outro que cavalga sobre ganhos elevados. Lucro significa suporte para novos investimentos e são a garantia de uma empresa, mas as estatais (e assim as empresas privadas) precisam ter também função social e compromisso com o crescimento da infra-estrutura do País e com a sustentabilidade econômica dos cidadãos.
Pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro mostra que a maioria dos brasileiros desconhece quanto paga de tarifas bancárias, que são apenas um dos itens da extorsão, e se não sabem também não pesquisam e não questionam, embora pesquisar pouco resolve, porque todos os juros e penduricalhos que caem nas contas correntes são altíssimos e iguais em todos os bancos. Muitos clientes ficam inadimplentes porque os juros são escorchantes. Por estes dias o presidente Lula pediu a ajuda do povo para controle da inflação (sugerindo que boicote produtos que tenham aumento constante, e esta é uma boa medida), mas não se ocupou de falar dos danos que o Governo causa ao permitir a continuidade, nunca alterada, dos juros altíssimos do sistema bancário e financeiro.
O Comitê de Política Monetária vai se reunir na próxima semana para atualizar a taxa do juro básico. Atualizar quer dizer aumentar. Pela matemática do Governo, isto diminuiria a disponibilização do crédito, que diminuiria o consumo, que conteria a inflação. Mas uma queda nas compras resultaria em estagnação ou retrocesso do desenvolvimento econômico, em desemprego, em menos tributação e por aí em diante. Os bancos deveriam ter, paralelamente, um papel patriótico na causa do crescimento do País, mas no Brasil eles têm se preocupado mais em haurir os benefícios.





