Se as prisões ora efetuadas no Paraná são um fato isolado na grande e abrangente batalha nacional que precisa ser travada contra o desmatamento - porque enquanto se escreve estas linhas a Amazônia e a Mata Atlântica continuam sendo devastadas em larga escala - a ação encadeada pela Polícia Federal e pelo Ibama é necessária e deve ser mantida, até quando for preciso. Esta operação não é ''uma pirotecnia'', nem ''um circo'', nem ''um ato terrorista'', como a definiu o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB).
Se algum excesso estiver ocorrendo, é um risco a que está sujeita uma intervenção desse gênero e que naturalmente deve ser corrigido. Mas o excesso indiscutível é que a terra foi sendo desnudada da cobertura florestal, porque na região abrangida pela operação só sobraram 70 mil hectares de mata nativa dos 7 milhões existentes há cem anos. Verdade é que a derrubada das florestas era permitida no passado para possibilitar o povoamento e a exploração da terra para a agricultura, mas hoje é preciso impor freios.
No caso presente, os delitos vão desde a extração madeireira até a falsificação de notas fiscais para enganar a fiscalização nas estradas, possibilitando o trânsito de madeiras de procedência ilegal. Entre os presos do Paraná estão na maioria políticos, embora os crimes ambientais sejam praticados por tanta gente e - conforme casos denunciados de devastação no Brasil inteiro - com a conivência de órgãos fiscalizadores. O deputado federal Luciano Pizzatto (DEM), cuja família teve agora uma empresa madeireira lacrada pela Polícia Federal, protesta e declara que poderá sofrer uma retaliação por haver denunciado possíveis irregularidades no Ministério do Meio Ambiente. Não se descarta, neste país, nenhuma possibilidade do gênero (o revide), mas a ação repressora, no presente caso, tem sido ampla e não focalizada apenas na propriedade ligada ao parlamentar. O expediente da falsificação de notas demonstra a consciência dos desmatadores de que estavam cometendo uma ilegalidade com a derrubada das matas.
O cerco policial é indispensável e a aplicação de multas e as prisões - doam a quem doer - precisam acontecer. Em escala maior, no caso da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica, será preciso empregar vigorosa força, em verdadeira campanha de guerra, se é que o Governo deseja mesmo proteger essas riquezas. Por ora, sob esse aspecto, só tem havido discursos. A cada relatório que recebe sobre os alarmantes números da devastação, o presidente Lula diz lamentar, mas não age. Porque não deseja agir.

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