A NATUREZA É A DONA
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domingo, 04 de agosto de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina discute em reunião hoje o disciplinamento do uso dos lagos Igapó 1 e 2. A alegação do Conselho é de que as medidas reguladoras são prerrogativas essenciais para se iniciar uma discussão mais ampla sobre a recuperação de toda a bacia do Ribeirão Cambézinho, que forma os lagos. Segundo João Batista Moreira Souza, membro do Conselho e presidente da ONG Patrulha das Águas, caso não haja uma decisão em comum, a regulamentação poderá se dar à revelia.
A polêmica em torno do assunto é se os dois lagos são ou não navegáveis. Outra questão é se os proprietários de áreas localizadas nas margens e os demais usuários terão de pagar pelo uso. Quanto aos pescadores, questiona-se se eles deverão ou não ser cadastrados. O desafio é tão importante quanto a recuperação dos lagos, mas o consenso está longe de ser alcançado, já que todos os envolvidos se consideram um pouco donos do Igapó.
Na opinião de João Batista, o Igapó 1 não possui dimensões suficientes para suportar um grande número de embarcações a motor, como lanchas e jet-skis. Estimativa dele é de que o número atual seria de aproximadamente 90 embarcações e o lago não comportaria mais do que 15 ao mesmo tempo. Ele diz que esses barcos lançam poluentes combustíveis no leito do lago e os motores trazem à tona a poluição depositada no fundo. Por tudo isso, o ambientalista afirma que é necessário cadastrar e limitar a circulação das embarcações. Outro ponto importante na sua avaliação é estabelecer uma taxa ou uma outra forma de compensação para ajudar nos custos de manutenção do lago.
O diretor do departamento náutico do Iate Clube Fábio Theóphilo contesta os argumentos do ambientalista. Para ele, o ''lago existe em função do Iate'', já que a agremiação surgiu antes e foi a pedido de seus sócios, à época, que o município decidiu represar o ribeirão Cambézinho, em 1958. Ele aponta que o clube entregou uma minuta ao Conselho e a Secretaria Municipal do Ambiente, na última semana, onde lista uma série de diretrizes para utilização do lago.
A diretoria do Iate entende, segundo Theóphilo, que os motores dos barcos e jet-skis não são os maiores poluidores do lago e que, no seu entendimento, a poluição tem outras fontes muito piores que não estão sendo combatidas com a mesma severidade. O clube aceita usar óleo biodegradável nas embarcações. ''O Iate é o maior interessado na despoluição do lago, mas precisamos centrar o foco nos verdadeiros poluidores'', comenta. Também é contra a limitação no número de embarcações porque, na sua avaliação, não haveria formas de controlar, fiscalizar e disciplinar o acesso. Para o Iate, é muito mais inteligente delimitar uma área para os banhistas do que para os barcos.
Quanto ao pagamento de uma quantia em dinheiro, na forma de taxa ou tributo para uso do lago, Theóphilo diz que é preciso ser melhor estudado. Ele não concorda porque os recursos seriam insuficientes e isso não seria competência do município. Uma medida melhor, avalia, seriam as parcerias com a iniciativa privada.
Para a Secretaira Municipal do Ambiente (Sema), o importante é democratizar o uso do lago, procurando atender as especificidades de cada usuário. ''O cidadão precisa ter a quem recorrer'', afirma o secretário João Mendonça.


