Este espaço de opinião tem proclamado que todos os direitos já são inerentes à mulher, e que não cabe ao homem a presunção de outorgá-los, já que não é detentor deles. Cabe à mulher - que hoje celebra o seu Dia - lutar por preservá-los, e ao homem atenuar seu machismo. Mas é equivocada a perspectiva de que essa luta tem de ser sistematicamente contra o homem. Se ele tem levantado certas barreiras e impedido alguns avanços da mulher em atividades que têm sido deles, não pode ser imputada ao homem toda a responsabilidade por certas condições que ela ainda não alcançou.
Porque muitas mulheres têm desejado ser apenas o par sexual, a esposa, a companheira, a mãe, a figura fisicamente mais frágil que transfere de bom grado ao parceiro a carga mais pesada. Do ponto de vista das mentes mais esclarecidas, a mulher já é, hoje, a grande dominadora de muitas situações, e isto não diminui no homem atributos de masculinidade, porém certos comportamentos radicalizantes de alas feministas tiram a feminilidade da mulher. As organizações político-feministas conferem à legião das mulheres uma marca classista, e por mais que o radicalismo condene certas exaltações à beleza física e à sensualidade da mulher, ela é mais sublime do que uma unidade no universo classista.
Acusar o domínio dos homens sobre as ''frágeis mulheres'' é uma inteligente estratégia das ativistas. Porém não é bem isso, bastando atentar que num dia como o de hoje - aos menos nos centros urbanos - todas as reverências e delicadezas dos homens são para elas. E não apenas neste dia. Exclua-se os países onde ainda imperam primitivismos seculares com relação à mulher, e o que se constatará será a presença dela detendo postos de comando e de grande poder. Focalize-se (até porque hoje ela chega ao Brasil) Condoleeza Rice, a poderosa secretária de Estado norte-americana, que compõe a caravana do presidente Bush. Além de mulher, é negra - portanto integrante das denominadas minorias - mas ela ascendeu ao patamar em que se encontra por suas próprias virtudes.
O Brasil tem prefeitas, deputadas, governadoras, senadoras e ministras, destacadas capitãs de empresas e titulares de outros organismos e serviços. Mas não é apenas nessas funções que reside a exaltação da mulher e sim na sua simples existência. Como se tem declarado, falta-lhe galgar muitos degraus se a meta é ela assumir todos os comandos hoje em poder dos homens - como chegaram a desejar algumas líderes feministas (e felizmente nem as mulheres e nem os homens querem isto), mas falta pouco se ela deseja apenas metade do poder hoje exercido pelo homem e deixar que ele cuide dos outros 50%.

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