A mudança no Ministério da Defesa
A praxe de um civil para comandar o Ministério da Defesa é uma fórmula que não se encaixa bem, porque todos os que estão sob as ordens do titular dessa Pasta são militares. O próprio presidente da República, comandante-mor das Forças Armadas, não se sente à vontade quando precisa ordenar medidas nessa esfera, tanto que poucas vezes o faz. A história atesta que as três Armas sempre marcharam pelo próprio compasso, até pela baixa ingerência do poder maior da República. Um poderio em si mesmas, essas forças de segurança (e no Brasil ainda com forte poder político) já derrubaram a democracia e governaram o Brasil durante quase 20 anos, em período recente.
Estas considerações têm a ver com a posse de mais um civil nesse Ministério - Nelson Jobim - num momento de grave crise no sistema aeronáutico, por conta dos ''apagões'' aéreos, de duas grandes tragédias com aviões e das deficiências técnicas operacionais. Porque falta planejamento coordenado, no setor, que é comandado por três instituições: o Comando da Aeronáutica, que controla o espaço aéreo e investiga acidentes; a Agência Nacional de Aviação Civil, que faz a regulação técnica e econômica; e a Infraero, que trata da infra-estrutura aeroportuária. Sob as ordens de um comandante fora das fileiras, que é o titular daquele Ministério, parece não ser coincidência a falta de sincronia entre elas e a fraqueza de autoridade do então ministro Waldir Pires.
O presidente Lula parece ter feito da escolha de Jobim uma opção também política, e já lhe deu carta branca e um aporte prometido de R$ 130 milhões para dissipar o denso nevoeiro que paira sobre a aviação civil. O novo ministro tem, pela palavra do presidente, todos os poderes para fazer o que quer. É uma outorga ampla, e se o Ministério de Defesa não tem como função apenas a crise do momento - porque integra Exército, Marinha e Aeronáutica - o novo titular recebe um aceno de autonomia dado a poucos e (ao menos) decola com o tanque cheio. Nem tudo ele pode fazer, como demitir o chefe da Agência Nacional de Aviação Civil, garantido pela estabilidade. Mas já lançou um dardo e diz que ''a Agência foi criada para funcionar e dar resultado e não apenas para ser mantida''.
Não é apenas a questão do caos aeronáutico que está à mesa do novo ministro, porque ele tem de saber comandar também outras tarefas inerentes ao seu Ministério, como a garantia institucional, o policiamento das fronteiras, a defesa da floresta amazônica, a segurança nacional em casos de convulsão social. Já nem se fala de operações de guerra, porque esta é uma hipótese remota. Por ora, sua missão principal é unir os comandos desunidos e dar início à árdua jornada de impor a ordem no caótico sistema aeronáutico civil.





