A conquista de uma rádio de Londrina, por via judicial, de mudar o horário de transmissão do programa ‘‘A Voz do Brasil’’ é inédita no Paraná mas não um fato novo no País. Na capital paulista a maioria das emissoras de rádio já transmite esse noticiário oficial a partir das 23 horas, o que também fará a emissora local. Esse programa em horário nobre tem sido um nó engasgado na garganta de todo o sistema de rádio aberto, até que a Justiça começou a conceder liminares permitindo a mudança de horário.
  A opinião pública, contudo, não foi consultada por uma ampla pesquisa, não se sabendo se aprova o programa, qual seu real índice de audiência e se apreciaria outra programação no horário das l9 às 20.
  A ‘‘Voz do Brasil’’ não é de todo intragável, porque apresenta um noticiário de interesse público sobre os atos do Executivo, do Judiciário, da Câmara e do Senado, e desde 2003 passou também a ouvir o povo nas ruas. As estações de rádio reclamam esse horário para programação própria de notícias e entrevistas, mas é justamente nesse começo de noite que todos os veículos de comunicação – televisões principalmente (hoje assistidas em todos os lares) – difundem seus noticiários. Se o termo pode ser adequado, se diria que há uma poluição do gênero nos mesmos horários, porque as emissoras concorrem entre si.
  Na verdade a ‘‘Voz do Brasil’’ não é propriamente ‘‘do Brasil’’ mas de Brasília, porque não traz informações sobre os atos dos três Poderes dos Estados e municípios. Existente desde 1935, tendo se iniciado precisamente a 22 de julho, esse informativo governamental foi implantado no Governo de Getúlio Vargas, tornando-se obrigatório no rádio três anos depois.
  O nome era ‘‘A Hora do Brasil’’, mudando em 1971 para o atual. No início só apresentava notícias do Poder Executivo, passando depois a abranger também o Congresso e o Judiciário.
  Não se pode afirmar que o povo ganha ou perde com as mudanças que já ocorrem em algumas emissoras (e isto deverá ampliar-se e tornar-se flexível, com diferentes opções de horários), porque as informações oficiais, às vezes de cunho puramente burocrático, também interessam aos brasileiros. Noticiário por noticiário, a ‘‘Voz do Brasil’’ e o que as rádios beneficiadas apresentam significam apenas uma troca de programas quase idênticos, naturalmente com a vantagem da ênfase às notícias locais. A flexibilidade deve ser adotada, mas a voz oficial não pode ser transferida para horário em que a maioria dos brasileiros já foi dormir. Porque isto é também uma forma de censura.

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