2020 nem bem começou e o planeta já tem declarada a primeira espécie de animal extinta neste ano. Nos primeiros dias de janeiro, a revista Science of the Total Environment publicou estudo informando que o peixe-espátula gigante chinês de até sete metros de comprimento não sobreviveu à ganância do homem. A espécie, segundo informou o jornal El País, sofreu uma queda expressiva na reprodução desde a década de 1970, resultado da pesca excessiva e da degradação de seu habitat, o rio Yangtzé, terceiro mais longo do mundo. Agora, o “rei dos peixes de água doce” está oficialmente declarado perdido.

Não só os cientistas chineses, mas pesquisadores de vários países lamentaram a perda definitiva de um animal único e extraordinário. “Lamentável” e “irreparável” foram algumas das expressões usadas. A construção de uma represa no rio onde o peixe-espátula vivia pode ter sido fundamental para a extinção da espécie pois bloqueou os hábitos migratórios do animal. Hoje a notícia é da extinção do peixe-espátula, mas o temor é que essas notificações sejam cada vez mais frequentes.

É difícil dizer quantas espécies são extintas ano a ano, assim como é difícil calcular quantas novas espécies são descobertas. Segundo a ong WWF-Brasil, um exemplo é a Amazônia, onde todos os anos são descobertas novas categorias. Somente em uma expedição científica em 2009, a WWF descobriu mais de uma dezena de espécies, incluindo aves e peixes.

Os cientistas consideram que em toda a história do planeta aconteceram cinco grandes ondas de extinção, uma delas foi a que dizimou os dinossauros. Acredita-se que atualmente o mundo passa pela sexta crise de extinção e como nenhum asteroide gigante caiu na Terra ou não foi registrado qualquer evento dessa magnitude, resta considerar que essa nova onda destruidora está sendo causada pela ação do homem.

Não é possível separar desse cenário catastrófico os efeitos da mudança climática. Para pesquisadores de diversas partes do mundo, a tragédia recente na Austrália, com uma onda violenta de incêndios, tem forte relação com as mudanças climáticas. Embora as florestas daquele país estejam naturalmente propensas ao fogo natural, dois fenômenos típicos de alteração climática agravaram a situação: longo período de seca e temperaturas elevadas acima do normal. Calcula-se que um bilhão de animais tenham morrido vítimas dos incêndios na Austrália.

O problema da mudança climática é um dos grandes desafios mundiais do nosso tempo. Mesmo que um grupo não acredite, há muitas evidências do fenômeno e de seus impactos para o aumento do nível do mar e para a produção de alimentos, citando apenas dois exemplos.

Não dá para negar que as atividades humanas interferem no aquecimento global. As informações estão disponíveis e os veículos de comunicação estão fazendo a parte deles em informar. Resta à sociedade acreditar e agir.

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