Há anos a rodovia PR-445 vem engrossando as estatísticas de acidentes com mortes no Norte do Estado. O perigo é proporcionalmente inverso à sua extensão: são 152 quilômetros que ligam o entroncamento com a BR-376, em Mauá da Serra, ao município de Primeiro de Maio. Em 2010, ocorreram no trecho 476 acidentes que deixaram 346 feridos e 18 mortos, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Estadual. Neste ano já foram quase 190, com nove vítimas fatais e 138 feridos - uma média de nove colisões por semana.
O dado deve servir de combustível para a resolução de um problema crônico da região. Uma das soluções seria a duplicação do trecho, antiga reivindicação. Em abril, o governador anunciou que a obra sairá do papel, mas as obras só devem começar em 2012.
Para evitar os constantes atropelamentos, principalmente nos trechos urbanos, um viaduto na altura do Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina) deve começar a ser construído nos próximos dias. Um alívio, mas que sozinho não soluciona o problema.
A violência nas estradas não é uma exclusividade da PR-445. Em toda a malha que corta o Estado, tanto estadual quanto federal, os desastres se repetem. Não à toa o Paraná obteve papel de destaque - infelizmente - em recente estudo realizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) com base em dados de 2010.
Proporcionalmente, o Estado foi o segundo que mais registrou mortos por quilômetro em rodovias federais: uma a cada 8,7, ficando atrás de Santa Catarina (uma a cada seis) e à frente de Minas Gerais (uma a cada 13) e Bahia (uma a cada 14).
Para explicar tantas mortes um argumento é comum: o desrespeito dos motoristas às leis. O brasileiro de modo geral necessita de estímulo externo para mudar hábitos, então pensar que sem nenhum tipo de ação mais efetiva o problema desaparecerá é empurrá-lo para debaixo do tapete.
São necessárias ações mais efetivas nas estradas para inibir quem ignora o Código de Trânsito, que incluem blitze mais constantes e campanhas educativas. Quantas famílias ainda precisarão chorar seus mortos para que alguma medida seja tomada?

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