A polêmica mordida que o jogador uruguaio Luis Suárez aplicou no zagueiro da Itália Chiellini escandalizou os fãs de futebol na Copa do Mundo, campeonato que privilegia o fair play. O termo pode ser encarado como "jogo limpo e justo" e está vinculado à ética no meio esportivo. Ou seja, vale jogar de maneira justa, sem prejudicar o adversário de forma desleal. Suárez minimizou a dentada dizendo que foi um lance normal do jogo. Provavelmente, ele não contava com a tecnologia. Tem sempre alguém com uma câmera na mão e apetite para flagrar o deslize alheio.
E por falar em conduta ética, vale lembrar que a expressão fair play ganhou repercussão em outros segmentos e os brasileiros começaram a associá-la com o comportamento das torcidas nos estádios e nas ruas e até mesmo na política. Será um exagero pensar em fair play nas eleições? Atualmente, no Brasil, seria precipitado.
Por aqui, o povo está mais acostumado com mordidas do que gentileza. A cada visita ao supermercado, dói no bolso do assalariado a mordidela da inflação. A dentada do imposto de renda e de outros tributos também machucam. E assim como não adiantou Chiellini queixar-se ao juiz que apitou Uruguai e Itália, o choro do brasileiro não sensibiliza deputados e senadores, que mantêm no "banco" a tão sonhada reforma tributária.
Assim como a bocada de Suárez provocou confusão em nível internacional, uma mordida anunciada para os próximos dias também está causando polêmica no Paraná. O reajuste da Copel, distribuidora estadual de energia, já foi autorizado em 35,05% pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), índice maior do que os 32,4% solicitado pela estatal. A repercussão negativa levou o governo estadual a pedir a suspensão do aumento e adiar por alguns dias a decisão final.
Como todo mundo sabe, em ano eleitoral, não é "recomendado" a aplicação de percentual alto nas tarifas públicas. Governadores e prefeitos sabem disso, assim como a presidente Dilma Rousseff, que também vem controlando os chamados preços administrados, categoria que inclui gás de cozinha , combustível, tarifa de telefones e planos de saúde. Mas que o consumidor não se iluda. Mais cedo ou mais tarde, a dentada vai chegar.

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