A moral e a ética na política
A moral e a ética na política
Ricardo Prochet
A política é um dos fatos inevitáveis da existência humana e um elemento sempre presente em nossas vidas, pois, desde a mais alta Antiguidade Clássica, os assuntos políticos impressionam o gênero humano sempre desejoso de conhecê-los e de penetrar em seu âmago.
Atribui-se a Maquiavel a posição de verdadeiro fundador da Ciência Política, exatamente por haver feito em sua obra O Príncipe, em 1513, a nítida separação entre política e ética e podemos afirmar que até o século XIX, os problemas políticos foram estudados fundamentalmente sob o prisma filosófico, que significa, etimologicamente o amor pela sabedoria. Havia, então, uma tendência bem nítida para se aceitar os sistemas políticos considerados bons e rejeitar os maus. Porém, o método de análise empregado, sempre foi, essencialmente, o do raciocínio dedutivo, sem que as elites se preocupassem em apontar o que estaria certo ou errado, o que seria ético ou não, o que seria moral ou imoral.
As elites atualmente precisam conhecer e constantemente divulgar a ideologia dos partidos políticos, que em sentido amplo, significa o estudo das idéias, consideradas em si mesmas. Como contribuição à conceituação de ideologia julgamos oportuno trazer o pensamento de David Easton, pela sua precisão e atualidade, e que está manifestado em sua obra como sendo um conjunto articulado de idéias, fins e propósitos que orientam os membros do sistema político no sentido de interpretar o passado, explicar o presente e oferecer uma visão de futuro.
Ora, se ideologia é isso, como explicar as constantes mudanças de partido pelos políticos em geral? Estariam eles mudando de idéias com total conhecimento de causa? Estariam eles perfeitamente integrados com as ideologias do novo partido político que estão ingressando? Ou estão somente atrás de novas oportunidades eleitoreiras e sem compromisso com nada além disso?
Neste sábado, em Londrina, um grupo de especialistas em Ciência Política do recém-criado Partido Popular Socialista (PPS) estará oferecendo um dia inteiro de estudos aos potenciais candidatos do partido quando, além do reforço sobre a ideologia, serão abordados com profundidade assuntos tais como: Poder Legislativo e o que significa ser um vereador, que apesar de parecer básico, a julgar pelo que leio nos jornais em relação à corrupção instalada em diversas Câmaras pelo Brasil afora, muitos eleitos para o cargo desconhecem seu papel perante a sociedade, estando ali somente a se locupletar durante seu mandato.
Após o curso, sem o qual não se poderá concorrer na convenção do partido, os postulantes deverão assinar um termo de compromisso, que os impedirá, se eleitos, da prática do nepotismo e autorizará a partir daquele momento a quebra de seus sigilos fiscais, telefônicos e bancários, como forma de deixar absolutamente transparente para os eleitores a seriedade em relação ao conhecimento das ideologias partidárias, bem como, do total compromisso com a ética e a moral.
Essa atitude do partido, e de seus virtuais candidatos, mostra-nos claramente que ainda existem neste país partidos políticos com elevado senso de moral e ética, pois já estamos todos cansados de ouvir por todos os cantos a jocosa afirmação de que político é tudo igual e de que não são merecedores da confiança do povo. Procuremos todos juntos a seriedade dos partidos políticos, que com certeza a encontraremos.
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas, professor universitário, consultor e conselheiro de empresas em Londrina
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