Livros para colorir são o novo fenômeno de vendas nas livrarias. Onze dos vinte livros mais vendidos no ranking do Portal Publishnews, entre 11 e 17 de maio, são para colorir. O fato tornou-se polêmica entre editores e leitores. Uns argumentam que os livros para colorir são apenas passatempo e, portanto, não deveriam constar nas listas dos mais vendidos. Outros contra atacam dizendo que não há nada de mais em incluí-los, pois é apenas uma categoria diferente.
Polêmicas à parte, a verdade é que um novo fôlego e um ótimo impulso chegam ao mercado editorial. Em meio ao pessimismo com o surgimento dos e-books e às constantes quedas nas vendas de "livros para ler", é uma ótima notícia ver as livrarias revigoradas.
A polêmica que ora intelectuais insistem em alimentar não tem razão. Os livros para pintar são sucesso de vendas porque respondem a uma necessidade de lazer e desocupação da mente. Lazer porque é prazeroso passar o tempo pintando florestas, animais e jardins, podendo ativar a criatividade inclusive. É bom para desocupar a mente das superficialidades que imperam nas redes sociais e fugir da irritação cotidiana. Um lazer que pode exercitar a paciência num mundo onde as pessoas andam com pressa para tudo.
Aqueles que veem com maus olhos os livros feitos para colorir esquecem que eles (os livros) podem fazer mais bem que mal. O contrário acontece com livros que incitam violência, ódio, preconceito e, sobretudo, os que enaltecem o individualismo e a ambição pessoal. Temos visto pessoas de diferentes idades nas livrarias em busca de livros e lápis de cor. Netos e avós compram livros juntos e trocam suas "artes" entre si, compartilhando visões coloridas das coisas do mundo. Em tempos de internet e relações a distância pelo celular (mesmo perto), é de muito bom grado que as pessoas se encontrem consigo mesmas. Melhor ainda através de livros, objeto quase sagrado que críticos e amantes da internet já condenaram ao desaparecimento em breve.
Os amantes dos livros em papel (eu incluso) têm motivo para ficar otimistas com a nova onda do "colorismo". A onda traz as pessoas aos livros e isso pode despertar para seu valor. O livro para pintar pode conduzir ao livro para ler. O contato com as livrarias pode despertar a vontade e o desejo de adquirir outros livros e formar ou redescobrir o prazer da leitura.
A superficialidade das relações humanas atuais fazem muito barulho e pouco falam de consistente. Informação é tratada como conhecimento e muito lixo inútil tido como essencial. Momentos de silêncio fazem bem e servem para higiene mental. Colorir é atividade criativa e relaxante. Trocar teclado e mouse por lápis de cor por alguns momentos do dia pode ser uma lufada de ar em nossa sociedade tão egoísta e desgastada. Está nervoso? Vai pintar! Mas lembre de que e-book para colorir não vale.
WILSON FRANCISCO MOREIRA é sociólogo e agente penitenciário em Londrina

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