À moda de Woody Allen (Luiz Geraldo Mazza)
Luiz Geraldo Mazza
À moda de Woody Allen
Só faltava anteontem um grupo de ladrões profissionais ter invadido o Palácio Iguaçu na hora em que o governador, três anos depois de estar no poder, haver descoberto que a segurança é um problema sério e que reclama intervenção. Dá para imaginar a cena: eu, que lá estava, entregando meu anel de bacharel; o Chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, oferecendo o revólver, aquele mesmo que ele usou quando atentaram contra sua vida num incidente até hoje não resolvido; o comandante da PM, coronel Lara, passando às mãos dos marginais seu equipamento de rádio e o nosso governador sendo compensado com a informação de que o bando viera para Curitiba atraído pela sua qualidade de vida e sobretudo a ecologia. Simpatia de gatuno não é diferente daquela dos políticos. O charme nem sempre está do lado do bem.
Pois algo parecido se deu com a equipe de telejornalismo do Canal 4, cuja brava rapaziada fazia reportagem sobre a questão da violência no McDonald da avenida Luis Xavier no exato momento em que um sujeito elegantíssimo, portanto mimetizado com o ambiente, fazia uma limpa no caixa do estabelecimento e saiu na maior folga com menos estardalhaço do que o havido na Leasing Banestado que pelo menos rendeu algumas denúncias (25 notícias-crime) por parte do Neco Garcia que o Requião apodou, na CBN, de maluco beleza.
O simples fato de o governador promover a reunião no Palácio Iguaçu para ouvir os meios de comunicação (na verdade ele é que mais fala nessa direção, daí o caráter chapa-branca da esmagadora maioria dos nossos veículos que se perderem a grana pública fecham, o que é engraçadíssimo no furor globalizante) já é assunto que daria um cenário de realismo fantástico de Garcia Marquez, Vargas Llosa, Cortázar e Icaza. O governador delegou ao Legislativo uma das suas prerrogativas intransferíveis e pergunta agora o que fazer com a onda de violência sem deixar de lançar uma suspeita bem tortuosa de que lhe parece orquestrada. A primeira medida é pedir excusas ao Legislativo (cujo prédio pegou fogo, não teve também como explicitar a morte de um segurança da Casa e ainda o assalto ao posto do Banestado) por lhe ter transferido uma responsabilidade indevida e reassumir a função. Para começo de conversa.AXIOMA
O gosto pela sinistrose é um dos cacoetes da esquerda brasileira. Daí a sua dificuldade de aceitar fatos que revogam a sua utopia já aposentada. Quando fiz uma palestra no PT e mostrei que mais de 70% do grupo dos que ganham de meio a um salário já têm casa própria o pessoal entrou em transe. No inconformismo uma das razões pelas quais acreditam na fantasia de que o lúmpen aceita o voto ideológico. Entre isso e um porquinho de um populista a escolha é fácil. Não entendem que pobre vota em gente bonita e que lembra mocinho de cinema. Pode ser um perigo como Collor ou um risco do tipo FHC.
GLOSA Felizmente na reunião sobre violência não se sugeriu que ela teria origem nas notícias de fatos delituosos. Lembro que a agência de propaganda, que cuidava da conta da Souza Cruz, pedia delicadamente aos veículos para que não dessem informação sobre os assaltos a carros da empresa. E assim se dava com ônibus e aviões sinistrados que o pessoal de relações públicas pedia para esconder da curiosidade dos fotógrafos a logomarca da empresa.
BIZARRICE Será que esses partidos que aparentam endurecer na sua aproximação com o governo não estão também interessados num outro tipo de pedágio?
SPRAY O secretário Rubens Tanure, da Segurança, participa hoje em Brasília de uma reunião com seus colegas de outras unidades convocada pelo ministro Renan Calheiros, da Justiça sobre controle da violência.- Assaltos preocupam e o Paraná proporcionalmente começa a superar São Paulo e Rio proporcionalmente. O ganho havido na parte rural (assalto a fazendas) é descompensado pelas invasões de sem terras.- Por sinal que há oito propriedades comprovadamente produtivas na relação do noroeste e 22 absolutamente ociosas e que devem ser desapropriadas com rapidez para reduzir a tensão no noroeste.- Peixes exóticos começam a aparecer nos rios, um deles o cláris, catfish africano. No rio Negro, na região de Fragosos, um de quatro quilos foi capturado em rede. Tanques de piscicultura estão estourando com as cheias.- Grana é curta, mas o triunfalismo da secretaria de Esportes não pára: não paga compromissos, com o que está orquestrado ao governo, mas fez licitações esta semana de quase R$ 500 mil para fornecimento de material esportivo e confecção de troféus e medalhas para jogos oficiais e projetos de lazer.- Ecologistas vão pedir na justiça o direito de resposta aquilo que consideram propaganda enganosa nos institucionais do governo que falam no Baía Limpa.- Simpática a atitude do governador e do secretário da Casa Civil permitindo que o presidente do sindicato dos bancários, Pedro Eugênio Leite, falasse sobre as portas de proteção. Pedro mostrou que todos os estabelecimentos assaltados não têm essa cautela elementar.- Gerson Guelmann deixou anteontem a Chefia de Gabinete para dedicar-se à campanha. Dado a sutilezas enviou carta aos amigos lembrando que quem teve a oportunidade de fazer e não fez não merece uma nova chance. E acrescenta, acreditando-se com plenitude de razão, não existe 2ª época para a incompetência. É o que a oposição está afirmando.- Por sinal que não pintou ainda o substituto: áulico tem bastante, mas dos que trabalham e se empenham aí a coisa muda de figura, pois são escassos.-
GLOSA O Brasil é o sexto país do mundo no ranking da obesidade. Só no Palácio Iguaçu e na Assembléia Legislativa tem gente suficiente para garantir o funcionamento das lojas Warca.
FOLCLORE Eu não posso como governador ficar preocupado com o que dizem de mim lá na avenida Luis Xavier. Essa frase foi de Lupion. Para os que acham não importante a Boca Maldita basta lembrar duas coisas: alí correu antes a notícia da queda de Leon Perez e quando insinuaram que Parigot de Souza, muito doente, não estaria assinando os atos de governo seus assessores o levaram à menor avenida do mundo, o que foi um episódio constrangedor pelas condições precaríssimas de saúde, para mostrar que o governador estava bem.
CROMO O jasmim no perfume é como o campari, doce-amargo, na bebida.
AFORÍSTICO Há uma espécie de Viagra para político frouxo e apático?





