À moda da casa
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 1997
Fernando José Dias da Silva, 
É claro que não vai ficar bem Fernando Henrique desfilando por aí de biquíni de crochê. Mas ele não precisa usar desses artifícios que estão na ordem do dia para estar na moda. Fernando Henrique está levando todas. E com tudo isso que está acontecendo a moda do verão é o próprio presidente. Fernando Henrique é o muso do verão. Substituiu, não se sabe se com vantagem, aqueles monumentos que frequentam as praias do Rio de Janeiro.
Só se fala nele. E pelo andar da carruagem, Fernando Henrique continuará sendo muso do outono, do inverno, da primavera, do verão que vem e assim por diante. Até agora ele fez barba, cabelo e bigode no Congresso Nacional. Aprovou a sua reeleição no primeiro turno, fez os presidentes das duas Casas do Congresso, Senado e Câmara e agora parte para o segundo turno da reeleição e para as votações no Senado.
Fernando Henrique está mostrando uma força e um poder inusitados. Até os bravos rapazes da oposição, da velha oposição pré-FHC, se renderam ao seu sorriso de aeromoça. Os ex-comunistas, os socialistas, os verdes. Todos entraram na onda. Foi uma gracinha o que eles fizeram no primeiro turno da votação da emenda da reeleição. Reclamaram, exigiram uma consulta popular, mas depois, docemente constrangidos, recomendaram que seus liderados votassem a favor.
O PT, o PC do B e o PDT que ainda votam contra o governo estão parecendo aqueles cachorros em dia de mudança. Não ter oposição é ruim porque a fiscalização e as cobranças diminuem. Isso por um lado. De outro, a oposição é importante também para o governo porque - botando pragmátismo nesse caldo todo - ela legítima as vitórias.
A imprensa bem que tentou criar um clima. Imaginou disputas, trabalhou com cenários onde entrava a derrota do governo. Todas essas coisas. Mas o que aconteceu foi mesmo o seguinte: Fernando Henrique passeou em todas as disputas até agora. Assim já está até perdendo a graça. Depois de todas as votações desse começo de ano no plenário da Câmara Federal dá também para se ter uma idéia do tamanho da oposição ao governo. É uma coisa mais ou menos em torno dos cem, cento e poucos votos, em um universo de 513. Uma diferença muito grande.
Só que apesar de tudo isso não dá para Fernando Henrique estender uma rede debaixo de um coqueiro que dá coco e ficar tomando a sua champanhota - a moda dos tucanos e congêneres é tomar champagne. O presidente não está com a vida que pediu a Deus porque o seu problema não é mais oposição.
Seu problema são os partidos que apóiam o governo. Por isso ele vai ter que negociar caso a caso tudo o que tiver de ser votado, principalmente as reformas que vão ser apresentadas. É que esse pessoal apóia o governo, mas sempre exige alguma coisa em troca.
Outro detalhe: o governo está por cima, mas já está parecendo o mau vencedor. Aquele tipo que entra no botequim cheio de bazófia dizendo que faz e que acontece. É ele mesmo, o ministro Sérgio Motta que anda dizendo que vai destruir o governador do Paraná Jaime Lerner, que usa sim o rolo compressor do governo e que ele junto com o líder do PFL, Inocêncio de Oliveira, formam uma aliança do mal. Não fica nada na frente.
Sérgio Motta vai sair de circulação por uns tempos. Fez uma operação cirúrgica na boca. Pode ter sido providenciada por Fernando Henrique.


