Esta passagem de ano tem um significado muito especial para nós, na Prefeitura de Curitiba. Marca não apenas a entrada de um novo ano, pleno de expectativas, mas também o fim da primeira metade de nosso mandato de prefeito. É momento apropriado para refletir sobre o que já foi feito e projetar as realizações futuras. Imagino que cada prefeito paranaense deva estar meditando sobre 1999, ano cujas perspectivas, hoje não propriamente otimistas, precisam ser transformadas em realizações.
A recente pesquisa Datafolha, apontando nossa administração como a que detém os melhores índices de aprovação popular, entre as nove maiores capitais brasileiras, é um indicativo de que nosso modelo de gestão compartilhada tem o respaldo da população e vai prosperar ainda mais nas parcerias com a comunidade, a iniciativa privada, as entidades sociais.
Esta visão de governo, que se exprime, por exemplo, em encontros cotidianos com moradores dos bairros para discussão de obras e programas, ou na execução de planos comunitários, que se materializam com a adesão dos curitibanos, mostrou ser o melhor atalho para abrir novas avenidas de oportunidades para trabalhadores e pequenos empreendedores, como é o caso do Linhão do Emprego.
Abrimos novos corredores, que agregam transporte coletivo e pólos de desenvolvimento econômico, levando infra-estrutura urbana e obras de saneamento básico a regiões ansiosas pelo investimento público. Priorizamos os bairros em fase de consolidação, preparando a cidade para novos tempos.
Tornamos Curitiba uma causa compartilhada entre a população e o poder público, adotando como prioridades a geração de trabalho e renda e, sobretudo, o avanço social. A vanguarda social se expressa na queda dos índices de mortalidade infantil, trabalho que rendeu a Curitiba um prêmio da Fundação Abrinq. Ela se traduz no número de partos normais que asseguraram ao Hospital do Bairro Novo o título de Amigo da Criança, concedido pelo Unicef. E se consolida nos programas de combate ao trabalho infantil, na profissionalização dos adolescentes, no aperfeiçoamento do ensino fundamental, com valorização dos professores e autonomia às escolas, e ainda nos cuidados ao idoso, que mais do que ninguém merece nosso carinho e afeto.
Gestão compartilhada, estímulo à geração de trabalho e avanço social - três diretrizes que se somam àquela de visão estratégica da nossa administração: a integração metropolitana. As cidades têm suas divisas geográficas, mas gente não tem fronteiras.
O que é bom para os curitibanos também pode ser bom para seus vizinhos, sempre respeitadas as peculiaridades culturais e sócio-econômicas de cada um, da mesma forma que um programa bem-sucedido num município da região pode ser adotado na capital ou em outras cidades do entorno metropolitano.
O fato é que a chamada Grande Curitiba, assim como as emergentes regiões metropolitanas de Londrina e Maringá e os demais pólos de desenvolvimento espalhados pelas várias microrregiões do Estado, deve ser pensada no seu todo, de forma integrada e harmônica. Curitiba, particularmente, não pode mais pensar seu crescimento de forma isolada, sem um planejamento estratégico conjunto, compartilhado pelos municípios vizinhos.
Sob esse conceito de gestão, o transporte coletivo integrado, na Região Metropolitana de Curitiba, já beneficia diretamente 400 mil pessoas. Em breve o sistema alcançará 600 mil usuários. Estamos avançando em outros setores, trabalhando em projetos conjuntos nas áreas de meio ambiente (especialmente na proteção dos mananciais), saneamento, educação, saúde, gestão e planejamento urbano. Temos dado atenção especial ao social, principalmente com ações de apoio às crianças e adolescentes, tirando-as das ruas para colocá-los nas escolas, sob supervisão de profissionais e mediante estímulo às famílias, através do fornecimento de cestas básicas.
A Assomec (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba), como se sabe, assumiu um papel essencial na condução dos projetos de parceria, coordenando as prefeituras no seu esforço comum de levar qualidade de vida melhor a seus habitantes.
Num plano maior, é importante ressaltar, o governo do Estado tem concentrado ações específicas de apoio aos pequenos municípios, por meio de programas como o Paraná Urbano e em áreas como Habitação, Criança e Urbanismo. A par dessas iniciativas pontuais, não poderia deixar de assinalar as imensas consequências do programa de industrialização deflagrado pelo governador Jaime Lerner. A atração de novas indústrias beneficiou diversas regiões do Estado, como a de Londrina - cidade administrada pelo nosso colega Antonio Belinati -, favorecida com um novo parque industrial.
Na busca do desenvolvimento, não há fórmula pronta e acabada, diga-se desde já. Cada município, cada região deve descobrir sua vocação sócio-econômica, explorar suas potencialidades físicas e humanas, superar suas deficiências e procurar o atalho para o desenvolvimento. Se há dificuldades conjunturais, baseadas nas previsões de recessão, devemos contorná-las com coragem e criatividade, perseverando na busca de soluções ousadas e rechaçando a fracassomania. Os prefeitos têm papel decisivo nesta travessia e o Paraná, mais que nunca, vai precisar deles para alçar-se definitivamente à condição de protagonista privilegiado do cenário econômico nacional.
- CASSIO TANIGUCHI é prefeito de Curitiba

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