A mentira do cancro cítrico
Uma notícia (verdadeira) e uma história de mentiras que enganou os paranaenses durante décadas. A notícia: Foi identificado, pelo Instituto Biológico de SP, um foco de cancro cítrico em viveiro de mudas no município de Limeira. A identificação, sigilosa, só foi revelada após questionamento feito por repórteres da Agência Estado (Caderno de Economia).
Agora a mentira: Durante muitos anos, os paranaenses sofreram restrição ao plantio de pomares por conta de decreto federal, que queria ''controlar'' a propagação da doença. A contaminação comprometeria a exportação de sucos. Só algumas regiões de São Paulo, coincidentemente perto do polo industrial de sucos, tinham permissão para plantar; eram indenes. Esses pomares, como ocorre hoje, cerca de 50 anos depois, abastecem de matéria prima a indústria exportadora. Mas vivem sob pesadas aplicações de agrotóxicos.
Ainda hoje, ampla área do Estado de São Paulo continua privada do plantio de determinadas variedades de laranjas. E há uma crença difícil de digerir que variedades tradicionais são suscetíveis. Exemplo: o limão galego é proibido, mesmo tratando-se de planta e fruta saudáveis, um produto - exagero à parte - quase farmacêutico - na crendice popular. Mas que ninguém duvide: é do grupo de alimentos funcionais.
A mentira do cancro cítrico - infelizmente respaldada por uma instituição científica, o Instituto Biológico, só foi derrubada quando o Iapar, através de pesquisadores competentes, com o respaldo do governador Canet (já tivemos bons governadores neste Estado!) mostrou que criara variedades geneticamente resistentes e poderia conviver com a bactéria Xanthomonas axonopodis, ou Xanthomonas citri (?). A posição do Iapar abriu caminho para implantação de indústrias de sucos em Paranavaí, Maringá e Rolândia.
Enquanto isso, os paulistas, fora do polo citrícola (Bebedouro, Limeira e região) continuam sem poder plantar. Há autorização mas, vira e mexe, uma fundação respaldada pelo governo ''descobre'' focos da doenças e então é feita a destruição das plantas. Com arrogância e multas. Como 40 anos atrás.





