O vice-presidente da República, José Alencar, não escolhe lugar para defender o governo e suas idéias, ainda que elas batam de frente com os interesses produtivos. Já foi o tempo em que discursava contra os impostos e falava o que a platéia queria ouvir. Agora ele defende a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mesmo num ambiente de contribuintes que se acham lesados tanto pelo imposto em sí como pelas promessas - desde o tempo de FHC a ‘‘contribuição’’ seria provisória.
Desta vez foi no Paraná. Mas ele se complicou. José Alencar, voltou a defender, ontem à noite, a prorrogação da (CPMF). ‘‘Eu sou contra a CPMF, mas não sou contra a prorrogação neste momento’’, salientou a uma platéia com cerca de 1,3 mil empresários que participaram da posse do presidente reeleito da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures. (Detalhes na pág.8).
Como é mesmo? Ele é contra a CPMF mas é favorável à prorrogação neste momento? Deve ser assim: Alencar é contra a arrecadação no governo dos outros; no seu governo a CPMF e refresco. Mesmo sendo pimenta nos olhos dos que pagam.
Segundo a Agência Estado, Alencar teria feito um apelo alegando que a questão da CPMF é de responsabilidade fiscal. ‘‘Se perderemos o controle do orçamento, colocamos tudo a perder.’’ .
Bobagem, senhor vice. A prorrogação está garantida. Nem se preocupe. Em nome dessa aprovação desvairada, o governo salvou até Renan Calheiros, atolado até o pescoço, segundo denúncias.
Mas, se defender a CPMF não foi uma atitude simpática, Alencar se complicou ao discursar sobre a reforma fiscal, postergada no governo FHC e ignorada no governo Lula.
E não é que Alecar falou da reforma?! Tentando compensar a insatisfação do empresariado com a decisão explícita de batalhar a favor da prorrogação, ele anunciou que o governo está aperfeiçoando uma proposta de reforma tributária, já apresentada aos governadores. A proposta prevê o fim de vários impostos federais e estaduais, incluindo a CPMF, e a substituição pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
O vice-presidente, ao final do discurso, deixou um recado: defendeu a constituição de uma Assembléia Nacional Constituinte com o único objetivo de aprovar as reformas política e tributária.
Cada um que ajuste o seu desconfiômetro como lhe convier. Mas o recado pode ser outro. A julgar pela forma de agir dos nossos dirigentes, os empresários presentes ontem à cerimônia de posse da FIEP têm todo direito de desconfiar se será essa mesmo a finaliade da Assembléia Constituinte. O recado de Alencar pode ser outro.

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