A menor taxa da história
A piora da crise econômica internacional e o fraco desempenho da atividade interna contribuíram para a redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto percentual. Agora definida em 8% ao mês, o índice atingiu o menor nível desde o início da década de 90 (período considerado comparável pelos economistas). Mesmo assim, a taxa de juro real (descontado a expectativa de inflação) ficou em 2,3%, a terceira maior do mundo. Os maiores índices são praticados pela China (3,7%) e Rússia (3,5%).
Para especialistas, o corte dos juros é mais uma ação do governo federal na tentativa de estimular a economia. Desde o início do ciclo da crise internacional, ainda no governo Lula, a opção é por medidas pontuais que estimulam o consumo e mantêm os empregos na indústria. Foram iniciativas como redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para automóveis, eletrodomésticos da linha branca e móveis, facilidade de acesso ao crédito aos consumidores e às indústrias para estimular investimentos, pacote de compras governamentais para ajudar setores retraídos, entre outras medidas. Em alguns momentos até surtiram algum efeito, mas não resolveram o problema.
Tanto que o País voltou a registrar índices ruins, como a queda na produção industrial e nas vendas do varejo e o aumento da inadimplência. Outro ponto que indica a queda de ritmo da economia é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apesar de acumular altas no ano e nos últimos 12 meses, o percentual é menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Esse movimento também abriria espaço para juros mais módicos porque indica uma inflação ''sob controle''. Esse cenário, no entanto, também aponta para um baixo crescimento econômico, com um Produto Interno Bruto estimado em 2,05%.
O cerne da questão, embora batido, só será resolvido com ações mais efetivas, como as reformas tributária e trabalhista, temas que não são tratados como prioridade por nenhum governo. A taxação de impostos e encargos também é das mais altas do mundo. Cobrança de primeiro mundo, mas com oferta de serviços de terceiro mundo, o Brasil nunca será desenvolvido.





