Melhor que uma eventual notícia de que a pobreza tenha aumentado é saber-se que a classe média de seis grandes regiões metropolitanas pesquisadas já compõe metade da população brasileira economicamente ativa. Esta é a que se enquadra na categoria de quem produz e consome em padrões aceitáveis. O salto, de seis anos para cá, foi de 44,19% para 51,89%, conforme números da Fundação Getúlio Vargas, e refere-se às regiões de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Isto ocorreu pela maior oferta de empregos, um mérito que não se atribui a políticas governamentais mas a um natural processo de desenvolvimento, devido ao empreendedorismo privado.
  Existe, com efeito, uma nova classe média se formando, e a perspectiva dos analistas é que essa tendência continuará, tomando-se por base a impulsão da economia. Um ponto negativo mas com marca de positivismo é que está faltando mão-de-obra para cargos mais especializados, que pagam melhor salário. Porque, se a nação foi apanhada de surpresa por essa requisição, demonstra que passou a haver mais vagas de trabalho nos segmentos mais exigentes de qualificação. Elevou-se no período mencionado também o número de carteiras de trabalho assinadas, o que é um anseio sobretudo da classe média, por dar-lhe maior status de cidadania e a garantia dos benefícios sociais decorrentes e da aposentadoria futura.
  Quando se diz que o Governo ajudou pouco ou nada, para essa melhoria na qualidade de vida, é porque não houve ação pública nesse sentido, como redução nos impostos para alento das empresas (que são as que geram empregos e tributação), nem diminuição nas alíquotas dos encargos sociais, nem uma alteração estimuladora da legislação do trabalho - inibidora do emprego por propiciar algumas absurdas indenizações trabalhistas - e nem políticas para baixar o custo do dinheiro quando buscado nos bancos e financeiras. Esse fenômeno de melhoria é dissociado dos efeitos de programas assistencialistas, como o Programa Bolsa Família, este sim uma providência de governo, de valor para os pobres mas que apenas os socorre e não os emancipa social e economicamente.
  Há muito ainda por fazer para se alcançar o parâmetro de povo desenvolvido, mas é indiscutível que se vive um momento de melhoria do poder aquisitivo, e esta é um roda viva que promove reação em cadeia, multiplicando riquezas e também provendo os cofres públicos de mais arrecadação. Resta ao Governo utilizar bem esse dinheiro, retornando-o ao povo em forma de obras e melhores serviços e não aumentando os gastos abusivos.

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