A universidade pública se vê frente ao desafio de sobreviver e à necessidade de se engrandecer pela capacidade em atender competentemente as demandas da sociedade, sem sucumbir ao canto da sereia de uma leitura simplista das chamadas leis de mercado. Neste contexto histórico, a escolha dos dirigentes máximos de nossa querida Universidade Federal do Paraná (UFPR) não pode correr o risco de ser equivocada.
Não devemos deixar que vaidades pessoais sobrepujem o interesse coletivo e o fisiologismo de promessas de cargos e benesses toldem o discernimento de quem realmente está interessado em ser parte da grande UFPR.
Qualquer servidor da nossa universidade tem o direito de ser reitor. Muitos teriam competência para sê-lo; porém, um número significativamente menor reúne as condições ideais. Dentre estas condições, o compromisso com uma UFPR pública, competente, participativa, coerente e, sobretudo ética, são pontos fundamentais.
Estando em nossa universidade desde 1974, tenho o privilégio de conhecer os candidatos a reitor e vice-reitor, aos quais respeito muito como professores, profissionais e colegas. Porém, dentro do processo democrático, um aspecto fundamental é a opção, a opção pela liderança que julgamos a mais oportuna e adequada para dirigir nossa universidade, no sentido da superação de suas reais conquistas e de um merecido destaque nacional e internacional.
Há algum tempo fiz minha opção, pois tive a satisfação de participar do bem-sucedido processo de convencimento dos colegas Fachin e Waldemiro para colocarem suas candidaturas à reitoria. Assim o fiz por conhecer seus históricos como pesquisadores, cidadãos, suas posturas acadêmicas e coerência política.
A minha opção não tem qualquer interesse pessoal ou mesmo corporativo, pois não pleiteio pró-reitoria ou qualquer cargo comissionado ou não, na futura gestão. No decorrer da campanha, tenho cada vez mais me convencido do acerto de minha opção pela candidatura Fachin/Waldemiro e isto essencialmente pela harmonia de sua postura histórica com o consistente discurso atual.
A colocação por alguns de que estamos diante da opção plebiscitária de uma ''situação bandida'' contra uma ''oposição redentora'' é maliciosa, falsa e bastante desrespeitosa. É maliciosa por sua clara intenção de prejudicar aos candidatos oponentes. É falsa porque qualquer membro dirigente de unidades setoriais e demais componentes dos conselhos superiores, são co-responsáveis pela insinuada ''situação''. É desrespeitosa na medida em que acredita que a comunidade universitária é tão ignorante e alienada a ponto de acreditar nessa falácia.
Espero sinceramente que no decorrer desta campanha, a ênfase dos discursos seja dada às propostas e não a escaramuças ou colocações antiéticas e inverídicas. Não creio ser demasiado pretender que este processo eleitoral seja uma demonstração a nossos estudantes e a toda sociedade de que é possível uma postura ética por parte de nossa comunidade universitária.
- ANDRÉ VIRMOND LIMA BITTENCOURT é professor titular e diretor do Setor de Ciências da Terra da UFPR

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