A oposição no Brasil está sem bússola: sugere ter uma força de que não dispõe e perde, uma a uma, todas batalhas, das patrimonialistas (Vale do Rio Doce, as estatais de um modo geral, com a Petrobrás, ícone religioso na fila), às de caráter corporativo (derrota dos petroleiros, queda da estabilidade dos funcionários, reformas administrativa e da previdência, flexibilização do trabalho). Nas derrotas, como se deu anteontem, dizem que a reversão virá nas eleições. Mais um equívoco.
De repente a oposição de um modo geral, por não saber combater a onda da moda, neoliberalismo e globalização, colocada em termos fundamentalistas, passa a configurar o velho, o passado, o remoto, o arcaico. A CUT encontra o seu maior ônus, na condição de mais aguerrida, na tutela a que se obriga a grupos funcionais públicos, que predominam em sua base. E isso é fatal.
Um pouquinho de método e coordenação e a oposição, que conseguiu abrandar os projetos do governo, alargaria seus ganhos nas concessões governistas. Agora a esperança é na votação dos destaques. A mobilização não poderá ser feita na base da mentira e da pieguice, do exacerbado populismo, como se deu agora. Mas para o aprimoramento da democracia é importante que haja a resistência, feita, no entanto, em bases menos emocionais.
O público vai olhar, cada vez com maior indiferença, as manifestações que venham da oposição, não apenas porque não emplacam e, sim, porque pouco ou nada esclarecem, já que fica nítido o empenho de confundir. A reforma, como está, não resolve o problema da elefantíase do Estado brasileiro. Segue, no entanto, uma tradição de ritmo como a que nos levou à Independência, à República (feita na ressaca do Baile da Ilha Fiscal), à abolição ( Lei do Ventre Livre, do Sexagenário e Áurea) e recentemente à abertura (lenta e gradual) hoje de um lado quase arrombamento, e de outro despotismo, por sinal nada esclarecido.
BIZARRICE A mais recente denúncia extra-conjugal do Clinton faz referência a uma mulher de nome Robin. Ainda bem que ele não é curitibano porque nesse caso diriam que se tratava do amigo de Batman. E tirariam certidão em cartório.
SPRAY Emerson Kapaz, secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento de São Paulo, adiou sua vinda a Curitiba.- O Palácio Iguaçu, alarmadíssimo, com o fato de que ele vem aqui para faturar um feito: Araraquara vai sediar o centro de excelência Inepar, a maior empresa paranaense. Qualquer dia ela muda a sede pra São Paulo. Aí os porta-vozes vão gaguejar mais do que o chefe.- Até agosto vai repetir-se a romaria que vimos nesta semana com o governador inaugurando obras ou baixando ordens de serviço em Irati, Prudentópolis e Ponta Grossa.- Inevitável em Ponta Grossa o encontro com Jocelito Canto, alvo de denúncia. Outro denunciado, vítima de trama política, é Greca que quase sempre o acompanha.- Segunda-feira, 16, é data do sesquicentenário de nascimento do dr. Leocádio José Correia. Em Curitiba o médium Mauri Cruz, professor da UFPR, recebe o espírito do médico parnanguara e faz intervenções cirúrgicas num Centro Espírita do Bacacheri.- Dentre as matérias polêmicas do ‘‘Impacto’’ a apelação criminal em favor de Dilso Rossi, presidente do Paraná Clube, condenado (acordão 10.309) pela 2ª Câmara Criminal do TJ.- Cada vez há menos gente nas mobilizações da CUT-PT: as derrotas sucessivas - privatizações como as da Vale, as reformas de FHC, greve dos petroleiros - minam o espírito do pessoal. O empenho em pegar carona no MST, como se viu ontem no bloqueio à agência do Bradesco, também dá em nada, o que já estava nítido naquela marcha dos sem-terra ao Palácio e que deu xabu.- Bicheiros em crise, menos por causa da repressão do que da extrema concorrência do governo com loto, loteca, instantânea, o escambau. Um grupo do Rio, aquele mesmo que tentou penetrar no Oeste paranaense, ataca em áreas de Santa Catarina. Moeda estável, inexistência de renda financeira, competição, levam à quebra: o maior do Paraná, Rubens Grahl, vendeu um haras para Aníbal Khury em Almirante Tamandaré.- Lerner fala hoje na CBN das 10 ao meio-dia. Vai ser um show de audiência e oportunidade para o governador ser questionado.-
FOLCLORE ‘‘Tosse. E que tosse!’ Causa mortis de um atestado de um médico curitibano do passado. Outra estória é a de que teria colocado assim:‘‘eu disse pro burro do polaco tomar injeção no músculo e ele tomou na veia.’
De médico tem uma do doutor Mendes de Araújo, proctologista: havia duas pessoas na sala de espera, um japonês e uma senhora. O médico a examinou e ficou preocupado. Aí chamou o japonês que olhou a mulher e que concordou que o caso era de fato ‘‘muito feio’’. E virou-se para o japonês: ‘‘o senhor precisa autorizar a cirurgia da sua esposa’’. O nipônico, com um ar de Cássio Taniguchi ao receber o carnê do IPTU, gaguejou: ‘‘eu não sou marido dessa senhora que só conheci na sala de espera.
ALEGORIA Caíto Quintana explica que não tem Mercedes. ‘‘A única é a Mercedes Sosa, de quem tenho vários compactos.’
CROMO Perguntaram ao Rogério Dias, o pintor, porque pintava, de forma tão seguida, passarinhos? Ele deu um pio de alegria e voou à árvore mais próxima. Não deixou pista e nem alpiste.
AFORÍSTICO A melhor defesa é a que vem dos outros: o relatório da Confederação Nacional da Indústria, que sequer menciona o Paraná entre os que mais se valem da guerra fiscal, tem mais peso que entrevista de secretário ou pronunciamento do governador. Uma resposta capaz ao Kapaz e aos capatazes paulistas daqui.

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