''Assim como os islâmicos devem ir à Meca (cidade sagrada que fica na Arábia Saudita) uma vez na vida, toda pessoa que sonha com um mundo diferente deveria participar pelo menos uma vez do Fórum Social Mundial (FSM)''. Esta frase foi dita por um dos cerca de 30 mil anônimos que desmontavam as barracas no Acampamento da Juventude ao final da terceira edição do Fórum, e resume a sensação que se tem dentro de um megaevento capaz de reunir cerca de 100 mil pessoas.
Realizado entre os últimos dias 23 e 28, em Porto Alegre (RS), o gigantesco encontro foi apontado pelo Comitê Internacional de Organização que representa os participantes vindos 156 países como ''a semente de uma mobilização mundial contra as desigualdades sociais e da visão totalitária e reducionista da atual economia capitalista''. O próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (único chefe de Estado autorizado a participar do FSM desde sua criação), afirmou se orgulhar de ter participado de todas as edições do ''maior evento político da história contemporânea do planeta''.
Nascido há três anos apenas como um ''movimento antagônico'' ao Fórum Econômico Mundial sediado em Davos (Suíça), o FSM ganhou apoio de Organizações Não-Governamentais (ONGs) de todo o mundo e desenvolveu infra-estrutura própria, orçada em US$ 3,48 milhões (vindos de recursos públicos, doações de entidades mundiais e das inscrições dos participantes). A programação contou com o absurdo número de 1.710 atividades, entre congressos, minifóruns, debates, reuniões, oficinas e mostras culturais.
Para Cândido Grzybowsky, um dos integrante do Comitê Internacional de Organização do FSM, o evento funciona como uma gigantesca ''Usina do Pensamento'', impulsionada por três fatores importantes. ''Em primeiro lugar, nossa indústria não polui o mundo. Pelo contrário: nós lhe damos sentido. Segundo, ela é sustentável. E em terceiro, nossa usina é pacífica'', disse durante o encerramento oficial do Fórum, lembrando que a quarta edição será realizada na Índia (possivelmente em Hyderabad ou Bombaim). Também ficou decidido que a data não estará mais ligada a Davos e que, em 2005, o encontro retornará a Porto Alegre.
Confira nesta página alguns fatos marcantes e propostas apresentadas no FSM, envolvendo principalmente a uniformização do desenvolvimento social e a busca por melhor qualidade de vida da humanidade. Como diz o slogan do evento, ''um outro mundo é possível''.

mockup