Xico Graziano, ex-presidente do Incra, denuncia em artigo no jornal ''O Estado de S.Paulo'' dois procedimentos condenáveis daquele órgão. Primeiro, a contratação de 4.500 funcionários, dobrando o seu quadro, e segundo a compra do restante da fazenda Itamaraty, do empresário falido Olacyr de Moraes, por R$ 165 milhões. Já em 2001 metade da propriedade havia sido adquirida pelo governo, que agora arrematou o restante. Só a aquisição da terra significa um custo de R$ 80,5 mil por família assentada, e com as complementações chegará a R$ 100 mil. O resultado obtido na compra anterior é pouco animador, segundo Graziano, porque o projeto não deu muito certo. A produção de grãos caiu pela metade, porque houve queda de produtividade da terra, naturalmente por falta de cuidado técnico. Lotes outorgados a famílias de sem-terra estão sendo vendidos em grande quantidade. Imagina-se que agora ocorra o mesmo. Deduz-se de tudo isso e esta é também a opinião do ex-presidente do Incra que a reforma agrária não dá certo nos moldes em que está sendo executada. O custo é alto e os resultados são inexpressivos, por razões diversas. Uma delas, que os sem-terra beneficiados não são selecionados, sabendo-se que muitos deles nunca tiveram experiência alguma em atividade rural. São aqueles que se incorporam às marchas do MST e aos acampamentos e só objetivam ganhar a terra com o propósito mesmo de vendê-la. Denuncia Graziano que no primeiro assentamento daquela fazenda quatro grupos começaram a se digladiar pela disputa política de comando. Agora, com a nova compra, a questão política também vai prevalecer, porque a turma do MST colocará lá uma parte dos seus, a Fetag idem, e assim com a CUT e a Federação da Agricultura Familiar. Empregados antigos da fazenda também ficarão com uma parte. E assim a divisão não se faz pela competência dos assentados, mas cada um terá a marca de uma representatividade política de origem, qual gado marcado para identificar os seus donos. O resultado final é que, por esse critério, nenhum projeto agrário irá para a frente, porque o fundamento do Movimento dos Sem-Terra não é solucionar o problema agrário, e ao governo falta critério, por incompetência e falta seriedade. Xico Graziano qualifica essa política de maluquice ideológica, que mistura miseráveis com oportunistas. No meio, o governo totalmente ignorante acerca da questão agrária, cuja função é contemplar o desempenho eficiente e lucrativo da atividade do campo. Opta o governo por distribuir terras, como benesse assistencialista, sem um propósito sério de assentar as famílias de colonos ou abrir oportunidade a quem, mesmo desconhecedor do trabalho rural e desempregado, deseja ingressar no negócio. Assim, tutela, mas não emancipa ninguém, bem no estilo populista do PT, o partido do governo no poder.

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