Estamos às vésperas da maior eleição da nossa história. Em 4 de outubro, mais de 106 milhões de eleitores deverão eleger o presidente da República, 27 governadores, 27 senadores (1/3 do Senado), 513 deputados federais e 1.045 estaduais. São 1.613 cargos que deverão ser preenchidos, sendo que alguns só deverão ter sua definição concretizada no segundo turno, em 25 de outubro. Esta é a última eleição geral do milênio e será marcada pelo inédito e pelo avanço tecnológico: urna eletrônica em 537 municípios (57,62 dos eleitores), reeleição do presidente e dos governadores disputada pela primeira vez, e mais do que isso, sem necessariamente estarem licenciados de seus cargos.
Embora todo esse quadro tenha tudo para inspirar uma grande participação popular no processo eleitoral, a realidade e os números nos mostram um panorama bastante desolador e indiferente por parte dos brasileiros frente às eleições. Segundo pesquisa realizada em Londrina pelo (Inbrape), e publicada na Folha de Londrina/Folha do Paraná em 17 deste, apenas 7,1% assistem ao programa do horário eleitoral com frequência. Já em nível nacional, pesquisa O Globo/Ibope realizada entre 6 e 10 de agosto passado, revela um contingente restrito de 22% de eleitores que o assistem com assiduidade. A pesquisa mostra ainda que entre a juventude o quadro é mais alarmante: apenas 17% dos que têm até 24 anos assistem ao programa.
Essa apatia do eleitor, sobretudo entre os jovens, é confirmada também por pesquisa Vox Populi/Época (revista ‘‘Época’’ do dia 14). Mostra que os eleitores de 16 e 17 anos, que somam mais de 10 milhões, não confiam na política brasileira. ‘‘Um ceticismo geral mostrando que os jovens aborrecem-se com a campanha e sentem um profundo desgosto em relação ao voto’’, destaca a revista. Aí pode estar a explicação do porquê que entre os eleitores dessa faixa, apenas 17,7% tiraram o título. ‘‘Não assisto porque não tenho paciência, não gosto de política, não quero ouvir abobrinhas’’, diz a estudante Renata Ralha, refletindo o pensamento da maioria.
Diante dessa aversão generalizada, podemos deduzir que o atual quadro é, em grande parte, reflexo da politicalha praticada em nosso país, o que consequentemente traz a decepção e o descrédito político por parte dos eleitores. Por outro lado, entretanto, o que se percebe é uma grande alienação política do eleitorado, fazendo com que ele não tenha uma formação adequada nesse campo, e o seu voto, por consequência, seja um mero instrumento eleitoreiro por parte daqueles políticos que não têm engajamento social com o povo, mas sim o eterno compromisso de reeditar uma política em favor dos interesses da elite, em detrimento da grande massa que sustenta a Nação.
A maior eleição não corresponde à expectativa e à participação de seus eleitores. Acontece num clima apático e distante por parte do povo, que a despeito de consecutivas decepções, está longe de ser politizado, não tendo ainda a consciência de que o seu voto pode ser a única arma que resta com igualdade de direito e poder, capaz de banir um sistema, cuja elite é quem decide pelo povo, de forma sutil, deixando transparecer a imagem de que a democracia foi fortalecida. De fato, é preciso consolidar a democracia, mas somente através da análise e da participação, pelo diálogo, leitura e debate, poderemos discernir o joio do trigo e fazer dessas eleições, de fato a maior eleição da história do Brasil.
- JOSÉ MOLINA NETTO é professor e escritor em Juranda (PR)

mockup