A mãe de todas as crises - Newton Carlos Moratto
A mãe de todas as crises
Newton Carlos Moratto
Neste terceiro milênio a humanidade poderia estar vivendo crises bem mais enobrecedoras do que aquelas por ela vividas atualmente. Poderia, por exemplo, estar refletindo sobre as clássicas indagações filosóficas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Contudo, antes de estar envolvida com a razão e o sentido de sua existência, está tristemente atormentada com as razões de sua sobrevivência, não conseguindo resolver questões que deveriam ser tidas como elementares: miséria, saúde, etc. E qual a razão desta crise? Há um ponto específico em que o homem está falhando?
As instituições por melhor acabadas, delineadas e construídas que sejam, não atendem ao fim a que se destinam, acaso seus dirigentes não estejam imbuídos de nobres ideais, bem como de elevados valores morais e éticos. As instituições têm seu funcionamento adequado ou inadequado na mesma proporção dos valores em que se norteiam seus dirigentes. Onde há homens corruptos, há instituições corrompidas.
Por algum tempo chegou-se a pensar que os Códigos de Moral e Ética estavam dissociados das questões sociais ou de relacionamento humano. Aos poucos este equívoco foi percebido. Por isso mesmo, talvez, nem nas reflexões contidas nos escritos de Platão se nota tanta ânsia pela Ética, como se percebe nos dias atuais, muito embora, esta exigência desafiadora é muito mais fruto de uma necessidade premente de sobrevivência do que propriamente oriunda de reflexões filosóficas ou religiosas, o que a faz perder uma certa consistência.
De um modo ou de outro, é urgente inserir os valores éticos e morais nas relações humanas, cuja presença é decisiva para o momento da história. Esta necessidade mais se acentua na relação governante/governado, pois ao respeito deste fundamento não só se estará elevando a consciência social e política (lato sensu), mas, sobretudo, servirá, pedagogicamente, de ensino aos demais inter-relacionamentos existentes. Cabe ao Estado - isto é, seus governantes -, em última análise, não só propiciar de forma eficaz meios para se atingir o básico para sobrevivência do cidadão, como saúde, educação, segurança, mas, acima de tudo, dar exemplos de cidadania, cumprindo as leis estabelecidas e pautando eticamente suas atitudes. A observância destes postulados deve estar, até mesmo, acima de seus interesses e dramas pessoais.
Utopia? Talvez. Certo é, persistindo esta distorção, vislumbra-se o perigo da sociedade se transformar exageradamente individualista, autofágica, onde cada qual viverá ensimesmado, perdendo a necessária concepção do coletivo e universal e, é provável, sendo o homem, o animal com o mais sério risco de extinção, sem qualquer sentido figurativo.
NEWTON CARLOS MORATTO é advogado e Presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina





