A concentração de médicos nos grandes centros urbanos entrou na pauta de preocupações do governo federal. Ancorado em dados do Ministério da Saúde, o ministro Alexandre Padilha anunciou recentemente a intenção importar profissionais de Cuba e outros países sob a justificativa de deficit de médicos no País. Levantamento do MS mostra que há no Brasil 1,8 médico para mil habitantes, enquanto na Argentina a proporção é de 3,2 médicos para mil habitantes. Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) confirma a discrepância na distribuição dos profissionais na regiões brasileiras: o Sudeste possui média de 2,67 médicos para mil pessoas, enquanto o Norte conta com apenas 1,01% médico para o mesmo número de habitantes.
O recrutamento de médicos estrangeiros não é consenso entre Ministério da Saúde e o CFM. O que todos concordam é que faltam políticas de incentivo para atrair médicos a lugares mais remotos onde há deficit de médicos. Reportagem de hoje desta FOLHA aponta para outro problema enfrentado por centros com boa proporção de médicos, como é o caso do Paraná: a falta de médicos especialistas. Dados do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) mostram que Londrina, Curitiba e Maringá concentram 73,29% dos médicos com título de especialização no Estado. Isso obriga a população dos demais municípios a procurar os três centros para tratamento de saúde.
Essa carência em outras regiões do Estado estaria relacionada à falta de estrutura e de plano carreira na saúde pública para atrair profissionais especialistas nos pequenos e médios municípios. Ainda que em menor escala, o problema também afeta centros maiores como Londrina. Segundo a diretora de regulação da Secretaria de Saúde de Londrina, Maria Fátima Tomimatsu, os maiores deficits do Sistema Único de Saúde (SUS) no município em consultas eletivas estão nas especialidades de cardiologia infantil, dermatologia, ortopedia geral, cirurgia bariátrica, cirurgia ginecológica, cirurgia plástica, cabeça e pescoço, endocrinologia, reumatologia e mastologia. Até mesmo pacientes dos planos de saúde privados enfrentam dificuldades no agendamento de consultas de determinadas especialidades em razão da baixa remuneração aos médicos.
O Ministério da Saúde prepara um cadastro nacional para mapear a distribuição de médicos no País e incentivar a formação de especialistas. Além dessa medida, é preciso um esforço maior dos gestores públicos em todo o País no sentido de valorizar o médico e oferecer boa remuneração e infraestrutura adequada para atender à população.

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