A má conservada Estrada do Café
Quem transitou pela Estrada do Café neste feriado prolongado pôde constatar o quanto ela está malconservada, justamente considerando-se a sua condição de rodovia pedagiada, que absorve fortunas imensas pagas pelo usuário para a sua perfeita conservação. No sentido norte a partir de Ortigueira são cerca de 160 quilômetros com muitas irregularidades, o que de forma nenhuma pode ser aceito. O asfalto é malconservado, acostamento quase não existe, a não ser onde há os pequenos trechos de terceira pista, a pintura da faixa central de sinalização é insuficiente, não há placas indicando distâncias e rumos, nenhum posto de atendimento da concessionária e nenhum telefone de serviço que possa ser usado em caso de emergência. O recurso é usar celular, que nem sempre estabelece o contato necessário, e nem há, na estrada, indicativo de número de telefone ao qual chamar. O trecho mencionado é como uma estrada deserta no que tenha a ver com a obrigatória presença da concessionária, a não ser naturalmente as cinco amplas e bem iluminadas praças de cobrança. O secretário dos Transportes, o diretor do DER e o próprio governador do Estado deveriam transitar de vez em quando por essa rodovia, e então saberiam que estrada pedagiada não é isto. O único fato novo que ocorreu nessa estrada é um trecho de duplicação, de apenas 14 quilômetros em uma pista porque a anterior, obviamente, já existia e só foi remodelada. Muito pouco para 7 anos de recebimento de pedágio. De forma alguma os usuários podem ser tolerantes com as negligências apontadas, e nem o governo, porque a concessionária não faz concessão quanto à cobrança do pedágio, que é contínua, elevada e implacável, faça chuva ou sol. Nem se sabe ao certo o que estabelece o contrato que o então governador Jaime Lerner assinou com as concessionárias, no geral, nem se sabe quantos veículos transitam diariamente pelas praças de pedágio e quanto as empresas faturam, porque nada tem sido publicado nesse sentido. Pelos cálculos, pode-se avaliar que são milhões e milhões, uma mina de dinheiro a céu aberto, com direito exploratório de 24 anos, dos quais 7 já transcorridos. No que respeita à Estrada do Café, razão deste comentário, o que se percebe é que o governo não está exercendo fiscalização, porque esse importante caminho norte-sul, escoador de safras principalmente, é apenas um arremedo de rodovia pedagiada. Na verdade, uma estrada abaixo do comum. Os pequenos trechos em boas condições são até um risco, por não ter sequência, ocorrendo de o motorista, abruptamente, entrar em trecho irregular. Se o pedágio implantado já é uma aberração, pelo esdrúxulo modelo, agora é difícil mudar o que está feito, por força contratual. Mas que ao menos o governo cobre das concessionárias o mínimo, que isto também é do contrato.





