Uma pequena luz no fim do túnel. Assim deve ser interpretado o trabalho desenvolvido por estudiosos do teatro em alguns presídios, e que no Festival Internacional de Londrina (Filo) pode ser conferido por estes dias em apresentações na Penitenciária Estadual da cidade, no desativado cadeião da Rua Sergipe e no 2º Distrito Policial, conforme reportagem no caderno Folha 2.
Pequena luz, sim. Mas suficiente para desencadear um processo de iluminação de um ambiente escurecido pela violência. E o mais importante: faz-se um trabalho de conscientização do presidiário, visando sua reinserção social, através de uma arte que, acima de tudo, humaniza pessoas antes endurecidas. Que seja, então, uma pequena luz. Mas de brilho contínuo. Mesmo que, por enquanto, o papel do teatro tenha sido o de apenas trabalhar a prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, entende-se que, por tabela, faz-se um trabalho de conscientização para outros aspectos da vida fora dos muros das prisões.
Em realidade, não deveria haver diferença entre o que ocorre dentro das celas e fora delas. O presidiário, como qualquer cidadão, deveria produzir para seu sustento, aprender para sua formação acadêmica, ter consciência para lutar pelos seus direitos. Mas muito raramente isso ocorre. Há, felizmente, algumas boas notícias de projetos alentadores em andamento, como o da prisão industrial já em funcionamento no município de Guarapuava, aqui mesmo no Paraná.
Assim, percebe-se que boas iniciativas existem. O que falta, para eliminar das prisões esse papel invertido de escola do crime, é valorizar projetos que dão luz aos detentos e praticá-los com sabedoria.
Walter Ogama

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