A luta contra o tabagismo exige ação contínua e eficaz
O enfrentamento ao tabagismo vem mostrando que políticas públicas bem direcionadas funcionam
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sábado, 30 de agosto de 2025
O enfrentamento ao tabagismo vem mostrando que políticas públicas bem direcionadas funcionam
Folha de Londirna 
O tabagismo é uma grave ameaça à saúde global. Cálculos da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que o cigarro mata no mundo mais de 8 milhões de pessoas por ano, sendo que 1,3 milhão de óbitos acontece devido ao tabagismo passivo.
No intuito de conscientizar os fumantes e de proteger as gerações futuras contra os malefícios do cigarro foi criado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto. Nessa data, órgãos ligados à saúde realizam ações de prevenção, entre elas, campanhas informativas.
Em 2025, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) fez um apelo aos profissionais de saúde para que aproveitem as consultas com pacientes fumantes para oferecer um breve aconselhamento sobre os perigos do tabaco. O instituto estima que se a ideia virasse prática, o Brasil poderia ter meio milhão de fumantes a menos.
Ainda segundo o Inca, esse número de 500 mil fumantes representa 2,5% dos cerca de 20 milhões de consumidores de tabaco que o instituto estima existirem no Brasil.
As estimativas do Inca foram feitas com base em dados de pesquisas oficiais sobre a saúde da população brasileira. A última edição da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada em 2019 pelo IBGE, por exemplo, mostrou que 30,9% dos fumantes atendidos por médico ou dentista não foram perguntados sobre a dependência do cigarro, e 18,1% foram perguntados, mas não receberam nenhuma orientação depois de assumir que fumavam.
O pesquisador do Inca André Szklo lembrou que a proporção de pessoas que buscaram parar de fumar foi maior entre as pessoas que receberam aconselhamento, em comparação com as que não receberam. O tabagismo provoca 174 mil mortes por ano e gera R$ 153,5 bilhões em custos no Brasil.
Outra entidade que também aproveitou o Dia Nacional de Combate ao Fumo para fazer um alerta foi a SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), considerando a relação do cigarro e o câncer de pulmão.
Para a pneumologista Enedina Scuarcialupi, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SBPT, é importante aproveitar para debater a necessidade de ampliar as opções terapêuticas no SUS (Sistema Único de Saúde) aos pacientes que desejam parar de fumar.
Segundo ela, hoje o PNCT (Programa Nacional de Controle do Tabagismo) conta com duas opções farmacológicas no SUS: os adesivos de nicotina e o cloridrato de bupropiona. A médica sugere a a inclusão das gomas de nicotina, que já fazem parte dos protocolos de tratamento em países como Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.
Para quem desejam parar de fumar e procura ajuda na saúde pública, é muito importante oferecer mais ferramentas que as auxiliem a superar o difícil passo de vencer o vício do cigarro.
O enfrentamento ao tabagismo vem mostrando que políticas públicas bem direcionadas funcionam. Ampliar o acesso a tratamentos no SUS é uma opção muito interessante, assim como capacitar os profissionais de saúde para atuarem com orientações rápidas. São ações relativamente simples que podem salvar muitas vidas.
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