A Igreja Católica, sem prejuízo de suas missões de fé e de elevação espiritual dos fiéis, destaca-se pela preocupação também com os problemas temporais, e agora lança a Pastoral da Pessoa Idosa, visando melhorar a qualidade de vida da comunidade mais velha. A obra se realizará sob o comando da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e na verdade não constitui um fato novo, porque há dez anos a Pastoral da Criança, também uma instituição da Igreja Católica e regida por essa benemérita da humanidade Zilda Arns, também vem dando atendimento aos idosos. Será esta mulher médica e sanitarista catarinense, radicada em Curitiba e irmã do também atuante lutador pelas causas sociais, o arcebispo Paulo Evaristo Arns que irá comandar a nova pastoral, e pelo êxito extraordinário de seu trabalho à testa da Pastoral da Criança, imagina-se o benefício complementar aos idosos que a nova campanha irá proporcionar! O trabalho atualmente executado atendeu, só no primeiro trimestre deste ano, a 33 mil idosos no Brasil, uma missão que certamente se expandirá com a criação da Pastoral do Idoso. Essa população, medida a partir dos 60 anos de idade, soma 14,5 milhões no País, dividida meio a meio entre homens e mulheres, mas estas com fração levemente superior. No Paraná existem 809 mil pessoas naquela faixa etária, o que significa menos de 10% e um dado revelador de que os paranaenses constituem uma elevada população de moços e de pessoas de meia idade. A pastoral ora criada pela CNBB já tem 10 mil pessoas capacitadas para o atendimento aos idosos, nas paróquias brasileiras, e a intenção é dobrar esse número. O atendimento visa em primeiro lugar os idosos cuja renda é de apenas dois salários mínimos (eles são 87% nessas condições), e a estatística demonstra que 62% deles mantêm seus próprios domicílios. A CNBB, leia-se a Igreja Católica, e essa incansável Zilda Arns e também as demais igrejas, assim como instituições particulares, fazem o que deveria ser função plena dos governos, que embora desempenhem funções de relevância nessa área, e também participem com ajuda financeira e lojística às pastorais e outros movimentos, deixam a desejar, embora pródigos em corrupção e em gastos supérfluos para manter a máquina político-administrativa. De sua vez, no embalo do lançamento da nova pastoral, a Ordem dos Advogados do Brasil outra meritória instituição que, dentro do seu campo de ação, batalha pela causa dos necessitados e desassistidos afirma que os idosos têm muita dificuldade em conseguir benefícios no INSS e nos demais agentes de saúde, como os hospitais (aí a negligência do Estado). Afirma ainda que o Estatuto do Idoso não é respeitado neste país. Também a OAB anuncia mobilização, para os próximos dias, no sentido de fazer valer o Estatuto. Duas poderosas forças Igreja e OAB que precisam contar com o apoio da população e de movimentos como as sociedades civis organizadas. Porque, pelo exemplo delas, os governantes e as autoridades públicas no geral também poderão ser sensilizados a melhorar seu desempenho, pelas mesmas causas.

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