A lógica entre economia, meio ambiente e sustentabilidade
Hoje, não é pelo medo de repressão jurídica que as empresas e indústrias têm adotado procedimentos sustentáveis nas atividades
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quinta-feira, 06 de junho de 2019
Hoje, não é pelo medo de repressão jurídica que as empresas e indústrias têm adotado procedimentos sustentáveis nas atividades
Espaço Aberto 
Certamente o mundo transformou as relações comerciais nas últimas décadas. As inovações tecnológicas sustentam - a que parece ser - a maior revolução desde a industrial. Mas, diferente do progresso “esbanjador” das décadas antecessoras, os dias atuais pedem calma e fazem acender luzes de alerta quanto à escassez do meio ambiente natural.
Nessa nova era, nas transações nacionais e estrangeiras, seja nas atividades empresariais ou industriais, urbanas ou rurais, a lógica corporativa impõe a necessidade de respeito ao uso comedido do meio ambiente, promoção do bem-estar social e alcance de índice economicamente viável.
Hoje, não é pelo medo de repressão jurídica que as empresas e indústrias têm adotado procedimentos sustentáveis nas atividades. Já é possível vislumbrar ganhos de imagem e, inclusive, de recursos financeiros ao adotar programas sustentáveis. Um bom exemplo, no agronegócio, é a tecnologia tropical, que dá ao Brasil o posto de segundo maior produtor de alimentos do mundo, o fazendo em um espaço antrópico infinitamente menor do que o utilizado na Europa e na América do Norte.
A lógica da sustentabilidade é inteligente, ao menos na teoria. Existem dois fatores que travam as “regras do jogo”. Primeiro, a população mundial se eleva e a cada dia demanda mais alimentos, além de bens e serviços, o que, invariavelmente, faz crescer a necessidade por matéria prima. Segundo, são os recursos naturais os únicos capazes por atender o intento por tal matéria prima.
É uma equação complexa, mas, ao que parece, de ainda possível resolução. Se, por um lado, dilapidar os recursos naturais já se mostrou perigoso e insustentável, por outro lado, a manutenção intocada do ambiente também pode significar um desastre à manutenção da vida (e não só a humana) na Terra.
Na semana em que se comemora o Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho), enaltecer sua importância é crucial. Mas, mais importante ainda, é demonstrar claramente as formas de materialização da sustentabilidade.
A própria Constituição Federal traz essa responsabilidade, de equilíbrio entre o preservar e o produzir. E se a Constituição diz, no artigo 23, VI e VII, que o meio ambiente deve ser protegido, de igual forma também protagoniza a produção agrícola, ao determinar que a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios fomentem a produção agropecuária e organizem o abastecimento alimentar.
Por isso, temas internacionalmente reconhecidos, como alterações climáticas e a necessidade de aumento de produção de fibras, bioenergia e alimentos de modo sustentável, fazem emergir um novo conceito de “economia verde”, que fomenta o redirecionamento de recursos e cria novas oportunidades ao mercado, no qual o meio ambiente passa a ser encarado como um ativo tangível.
Já é possível acompanhar a comercialização em bolsa de mercados dos green bonds, que priorizam projetos com benefícios sustentáveis em variados setores da economia, como agronegócio, produtos florestais, energia, bioenergia, além da ascensão pujante no mercado de baixo carbono, no qual florestas “em pé” passam a significar um novo modelo de negócio, trazendo benefícios econômicos, sociais e ambientais.
Sendo o meio ambiente considerado um ativo, a premissa básica a ser enaltecida é sua escassez. Essa é, também, a premissa que sustenta o estudo nos processos de produção, distribuição, acumulação e consumo de bens materiais. A lógica é a mesma!
Por isso, entender o meio ambiente como um ativo financeiro – claro, sem lhe retirar o encanto sagrado que lhe é peculiar – pode ser boa (ou mesmo a única) alternativa para que a preservação se estenda no tempo e, com isso, a vida neste planeta, também!
RAFAELA PARRA é representante da SRP (Sociedade Rural do Paraná) no Comitê de Sustentabilidade da Sociedade Rural Brasileira


